E quando o casal é workaholic?

Para a série especial desse mês, Vida de Casal, a editoria de Carreira vai tratar de algo que não é novidade no portal, mas que pode ser considerado um assunto inesgotável: ser workaholic. Já abordamos tudo o que pode ser prejudicial em uma condição como essa e, inclusive, a diferença do termo para workalover, mas o cenário pode ficar mais preocupante quando, em um casal, os dois são considerados viciados em trabalho.

É o caso dos empresários Ana Paula Costa e Douglas Tiede. Apesar de atuarem em áreas bem distintas – ela é marketeira e ele, engenheiro civil –, a veia empreendedora faz com que tenham alguns desafios semelhantes, como estar à frente de uma equipe, se envolver até mais tarde com as demandas, etc. “A nossa rotina acontece de uma forma ‘mucho loca’, quase uma relação Unibanco - 30 horas”, brinca Ana Paula, enfatizando que o fato de ser um casal workaholic deixa as coisas mais leve, pois gera mais compreensão.

Ela, que também é integrante do Conselho Editorial do Negócio Feminino, sabe que o cenário não é dos mais saudáveis e nem se orgulha disso, mas confessa que não consegue se imaginar nesse ritmo de trabalho se fosse casada com um funcionário público, por exemplo. “O desafio da empatia fica resolvido quando os dois trabalham muito”, diz. O problema, para ela, é que os dois se retroalimentam, não tem ninguém para sossegar ou dizer chega. Com a veia empreendedora presente nos dois, acabam sempre falando de trabalho e novos negócios, por exemplo.

Encontrar o equilíbrio

Se o perfil do workaholic é de um profissional ofegante, que fala rápido, está sempre preocupado com os prazos apertados, faz várias coisas ao mesmo tempo, se dedica de corpo e alma ao trabalho e está sempre ligado ao celular, tablet e/ou notebook mesmo nos finais de semana. Ana Paula e Douglas realmente se enquadram nas características. O presente, pelo menos, é mais animador do que o passado, que, segundo ela, era muito mais sem medidas. “Já fomos ‘piores’, pois acho que isso é uma caminhada. Estou muito melhor do que no passado, mas distante de onde quero chegar.”

Hoje, por mais dedicados que continuem às suas empresas, sabem que existem alguns limites que devem ser cumpridos. “Gostamos de almoçar juntos, ver filme à noite, viajar, etc. Nem sempre conseguimos, mas lidamos bem com a rotina de não ter rotina”, diz a empresária, que reconhece que ainda ficam incomodados e intranqüilos quando se afastam de suas atividades laborais aos finais de semana, feriados ou até mesmo nas férias.

Desafios de um casal

Provavelmente, há quem se pergunte onde fica a vida de casal em uma rotina tão intensa. Para Ana Paula, a vida deles é muito mais do que falar amenidades, eles se admiram, trocam ideias, se inspiram um no outro e gostam de debater assuntos profissionais. E mais: eles se entendem exatamente dessa forma. “Somos um casal muito próximo, íntimo, companheiro e parceiro, a nossa diferença dos demais é que falamos sempre de negócios, nos aconselhamos, trocamos ideias sobre isso o tempo todo”, ameniza Ana.

Entre os desafos do casal workaholic, Ana Paula elenca mais do que investir na intimidade deles, mas, se tem algo que precisa ser trabalhado, isso se chama férias. “Até mesmo na nossa lua de mel levamos nossos notebooks. Já conseguimos limitar que, no período, o acesso é restrito a uma vez por dia. Então, curtimos o local a ser desbravado e temos uma pequena parte do dia para acessar nossos emails”, conta.

Outro desafio que, não raro, é assunto nas conversas a dois é o tema filhos. “Como fazer para inserir uma criança em uma rotina como a nossa? Hoje, optamos por essa locura, mas, se quero um bebê na minha vida, preciso dar espaço para que ele entre. Ter um filho traz junto as palavras regras e rotinas”, admite Ana Paula. Ela também salienta que cuidar um da saúde do outro também é essencial. “Se o workaholic tem por característica não olhar para si mesmo, então temos que fazer isso entre nós”, observa.