Cenário otimista

As mulheres já são a maioria da população, de acordo com o IBGE. Não bastasse, sua logenvidade está maior, iniciam a vida profissional cada vez mais cedo e têm filhos mais tarde. Ah, e respondem por cerca de 37,3% da renda familiar. Segundo o instituto, elas também estudam mais do que os homens e tiveram aumento maior na renda média mensal. Em pesquisa recente, o IBGE registrou que, entre os anos de 2000 e 2010, as mulheres brasileiras tiveram um aumento de 12,8% na renda média mensal, contra 3,6% de aumento da renda dos homens.

Ainda na linha dos números, da última relação anual de informações sociais do Ministério do Trabalho e Emprego (MET) apresentou um recorte por gênero. No estudo consta que o nível de emprego da mão de obra das mulheres cresce 3,1% em relação a um aumento de 2,57% para os homens. Uma diferença de 1,34 pontos percentuais.

Segundo a técnica da Gerência de Atentidmento Individual do Sebrae-RS, Roseli Martins da Rosa, infelizmente, ainda há diferença salarial entre homens e mulheres. Feminismos à parte, esse cenário é apenas um fato. A especialista recorda que essa situação teve um marco na Segunda Guerra Mundial, quando eles foram lutar e as mulheres tiveram que tomar a frente dos negócios. “Quando voltaram para casa, elas não queriam mais as atividades domésticas e maternas, mas participar das atividades profissionais. A partir disso, as mulheres vem se inserindo cada vez mais no mercado. Há 50 anos, apenas 15% trabalhava fora de casa, hoje, esse número sobe para 42%”, destaca.

Psicóloga e consultora de Recursos Humanos da Casa de Assessoria, Marjorie Avruch concorda com a distância entre a remuneração dos gêneros e completa afirmando que existe uma série de motivos para isso. “Hoje em dia, temos várias razões para que as mulheres sofram preconceitos. Inicialmente, é uma questão cultural. Além disso, existe a licença-maternidade, quando todas sofrem, de alguma forma, quando engravidam, afinal, a empresa tem todo um custo com a saída dela, por isso, muitos evitam a contratação de mulheres”, explica.

Outro aspecto ressaltado por Marjorie é que, para a mulher, há muita exigência quanto à aparência e à beleza. Então, alguns cargos são mais voltados a elas, como o caso de recepção. “Além disso, muitas vezes, não são vistas como seres objetivos e racionais, então, é uma tendência em ressaltar a questão do instinto, dos sentimentos, da sensibilidade”, destaca a psicóloga.

Onde elas estão?

Feito o registro de alguns números importantes e o contexto das conclusões, podemos elencar algumas áreas que mais atraem mulheres, ou que, tipicamente, existe uma procura feminina maior, bem como as promissoras. Que elas conseguem fazer muitas coisas ao mesmo tempo, a gente já sabe, afinal, são capazes de falar ao telefone, digitar, falar com o marido, com o chefe e com o filho e ainda dar ordens para a empregada – e tudo ao mesmo tempo.

De acordo com Roseli, as mulheres têm atuado mais na área de comércio, com venda de acessórios e roupas.Assim como são bastante presentes os serviços no ramo da alimentação. “Hoje, podemos dizer que 70% das mulheres estão concentradas em comércio e serviços, os outros 30% na indústria, especialmente nas confecções”, ensina a técnica do Sebrae-RS.

Ela ainda esclarece que, apesar de muitoas acharem que, quando são donas do próprio negócio, os salários se tornam mais compatíveis, essa é uma questão relativa. “Baseado na diferença de 30% entre o rendimento de homens e de mulheres, elas começaram a buscar outra alternativa, que é ser dona do próprio negócio, mas o retorno nem sempre é imediato. Essa decisão requer planejamento e, através dele, é que ela poderá projetar sua questão financeira”, alerta Roseli.

Para onde vão?

Conforme Marjorie, as mulheres vêm buscando mais formação através de cursos, técnicos, superiores. Para ela, é possível notar no dia a dia o quanto elas têm investido nisso, em busca de mais resultados.“Também vemos nas mais jovens o adiamento dos planos pessoais, buscando a maternidade mais tarde. Me parece que as mulheres assumem o trabalho com muita seriedade, por enfrentarem tantas dificuldades e terem que se cuidar com mais frequência, percebo que assumem uma postura mais rígida e até mais ética”, analisa a psicóloga.

Após fazer uma análise emocional, na prática, ela salienta que a área comercial, especialmente com cosméticos, é forte tendência entre o público feminino. “As atividades voltadas para o público feminino estão em plena expansão”, ensina. Além disso, algumas áreas da saúde aparecem como promissoras, segundo Marjorie: Farmácia, Psicologia e Nutrição. Já o setor de Tecnologia ela entende ser tendência para qualquer um dos públicos.

Ainda na linha de carreiras ascendentes, a consultora de RH cita a área de Finanças como uma opção para mulheres, especialmente nesse momento de incertezas econômicas. “É um ambiente que vai trabalhar muito e aparecer mais ainda nesse ano”, resume. Como possibilidades de investimento, há duas formações que tem ganhado a atenção das mulheres: Engenharia e Marketing.
Depois de toda essa análise, vocês devem estar se perguntando: será que essas áreas dão retorno financeiro? Vale a pena do ponto de vista das respectivas remunerações? Então, continua acompanhando nosso série especial de Junho, que está tratando de Mercado de Trabalho. Amanhã, esse será o tema da matéria de Finanças!