Conciliar vida materna com profissional é possível?

Além de toda a questão de realização pessoal, sentimento de amor verdadeiro e tudo o que envolve ter filho, uma palavra cobina perfeitamente com esse momento da mulher: doação. Planejado ou não, ser mãe implica em se doar a um ser que passa a depender dela. Quando isso acontece, como fazer para conciliar com a vida profissional? Para muitas, um dos momentos mais difíceis é, depois que passa o período da licença maternidade, ter que retomar a rotina e ficar longe do pequeno.

Mas e se fosse possível levá-lo para o trabalho? Em alguns casos, isso realmente acontece, acredite. Como com a jornalista Fabiana de Carvalho Fernandes, 43 anos. Seu local de trabalho oferece uma creche aos funcionários, ambiente frequentado por seu filho, João Vicente, durante seis anos. “Foi compensador! Era uma creche que eu considerava ótima em tudo: espaço, funcionárias da área pedagógica e de recreação, além de professores de diversas modalidades que alegravam a garotada. Tudo isto me dava uma base de conforto em saber que meu filho estava se alimentando bem, se divertindo e num lugar fresco e seguro”, lembra.

Criar e educar os filhos e, ao mesmo tempo, buscar o sucesso profissional são desafios que podem surgir a qualquer momento e que, em muitos casos, não se sabe como lidar. Aliás, por mais que o bebê seja a grande prioridade da mãe, é preciso garantir que o trabalho não seja impacto, até porque é dele que virá o sustento da criança.

Fabiana não passou por esse dilema, pois podia trabalhar com a tranquilidade do filho estar bem perto, o que não interferia em nada a sua produtividade laboral. A jornalista também salienta que a economia de tempo com trânsito, a confiança de estar próxima e conhecer bem o local e a tranquilidade de sempre cumprir seu horário normalmente foram aspectos enriquecedores para ela.

E quando se é empresária, que postura adotar? Margarete Magalhães não teve dúvidas do que fazer quando uma de suas colaboradoras engravidou. “Tenho um salão de beleza e elas são autônomas aqui. Não podem ficar sem trabalhar. Então, informei que a criança poderia acompanhar a mãe todos os dias, se necessário. Hoje, ela é a alegria da casa”, lembra a empresária, que mantém brinquedos espalhados e até um chiqueiro no andar de cima do estabelecimento. “Elas não podem sentir que um momento tão lindo seja um problema”, julga Margarete.

Há especialistas que dizem ser prejudicial ter mães e filhos em ambiente profissional. O argumento destes é que, depois de duas ou três horas, as crianças pedem atenção, têm horário de refeições a cumprir e não deixam que as mães se concentrem. Como em todas as questões de carreira, há casos e casos, o importante é que ambos fiquem confortáveis com o que for decidido. Mas não dá pra negar, poder ter o filho por perto enquanto trabalha, pode ser uma tranquilidade essencial para o rendimento diário.