Demiti. Demitido. Me demiti

Todo mundo sabe que a época para demissões não é a mais apropriada. Pelo menos para o profissional que é pego de surpresa. Embora tudo aconteça no momento certo – mas isso é outra história. Voltando às demissões...

Pois bem, é possível penar em três alternativas: o demitido. O que pediu demissão. E o líder, gestor, chefe, que deve demitir um colaborador da equipe ou é pego de surpresa com a saída de um profissional-chave do escritório. Qualquer situação deve ser avaliada com cautela. Pelo menos, essa é a opinião da Gabriela Frühauf, que hoje tem o seu próprio negócio. “Nunca é fácil pensar em dispensar alguém, pois sabemos o quanto pode atrapalhar a vida da pessoa, mas precisamos analisar o negócio e avaliar as pessoas como profissionais”, reflete Gabriela de forma profunda.

Afinal, ela já passou por situações semelhantes quando ocupava um cargo de diretora de mídia em uma agência de publicidade, e depois com o próprio negócio. “Em um dos casos a pessoa cometia erros rotineiramente, agia como se fosse normal, e quando questionada sobre a situação dela na empresa, achava que estava muito bem”, conta Gabriela, afirmando que diante desse foi necessário demitir o funcionário.

Quem já esteve do outro lado do balcão foi a Luciene Scherer. Demitida, virou o jogo e criou a sua empresa de treinamento. Logo após, foi chamada em um concurso público. “Bastaram 24 horas para eu perceber que lá não era o meu lugar”, conta Luciene, que hoje atua como Coach.

Com Patrícia já aconteceu um pouco diferente. Em uma empresa de logística, não estava satisfeita com o andamento da sua carreira, queria – e precisava – algo diferente. “Sempre fui muito imediatista. Um dia acordei com a decisão tomada: vou pedir demissão”, revela a administradora, lembrando que na mesma semana recebeu uma proposta de trabalho. “Mal escutei a proposta e já aceitei”, ri ao recordar.

Pode parecer imaturidade, mas Patricia contou que já estava há cerca de um ano insatisfeita. Seus projetos não iam pra frente, ficando no fundo da gaveta. “Sentia que estava retrocedendo”, lamenta. Na nova empresa há quatro anos, não pensa em desligamento tão cedo. “Tenho espaço, sou ouvida e meus superiores delegam responsabilidades”. 
Claro que a saída de um colaborador deixa um vácuo na equipe. Seja ele bom ou não. “Tive um caso que o desligamento de uma profissional que agregava muito ao negócio foi bem complicado, e não conseguimos encontrar um perfil como o dela”, compara Gabriela. Mas completa: “Com certeza encontramos outros profissionais com aptidões que agregaram muito ao longo do tempo”.

Essa é a matemática do mundo corporativo. Afinal, ninguém é insubstituível. Claro que diferentes qualidades e defeitos farão parte dos profissionais, mas cabe a cada um avaliar sua trajetória profissional.

Bianca fez isso. Assim como a Patricia. As duas estavam insatisfeitas. Enquanto que Patricia pediu demissão já com o novo emprego na manga, Bianca não tinha nem ideia do que faria da vida profissional. “Assim que decidi, não queria ficar mais um dia na empresa”, conta ela, que está ‘desempregada’ há quatro meses. Durante esse período de ‘férias forçadas’, Bianca tem se capacitado. “Eu tinha um plano de previdência, e usei parte do valor para viajar”.

Pasmem, mas essa é uma boa opção para quem não quer depender do seguro-desemprego. Ou, aos profissionais liberais, que não têm esse direito. O diretor da PlaniLife, Ricardo Rezende, compara com a poupança. “O plano de previdência nada mais é do que uma poupança para o futuro com incentivos fiscais bem interessantes. Com investimentos acessíveis, é uma relação lógica de poupança que, quanto antes começar e por mais tempo pouparmos, só trará vantagens”.

Apenas um cuidado para os desprevenidos: quanto mais precoce for o resgate em relação à data da contratação, maior será a taxa cobrada. “Se for feito um plano de previdência para resgatar em pouco tempo, o que pode ser feito, essa decisão tem que ser baseada em uma necessidade realmente urgente ou oportunidade de investimento de ocasião”, explica ele.

Ricardo ainda explica que muitas empresas a utilizam como ferramenta de retenção de talentos, inclusive, condicionando o seu resgate a determinadas regras de permanência no trabalho que compensem o seu investimento. O que não aconteceu com a Bianca, nem com a Patrícia. Isso porque as duas optaram pela demissão porque não se sentiam valorizadas no emprego.

Já que um plano de previdência não serve apenas para a aposentadoria, a Luciene, que foi demitida, poderia ter utilizado como uma reserva financeira. Claro que em caráter de urgência ou com muito planejamento. Afinal, ninguém quer ser demitido nessa época do ano – na verdade, em nenhuma época.

Demitido ou não, o que vale é não ser pego despreparado.

Quer pedir demissão e dar uma reviravolta na vida? Então te planeja.

Ao chefe, bom... ai é com ele.