Gravidez? Dá para esperar

Emprego novo, aquela promoção tão batalhada, a aprovação do projeto que levou meses desenvolvendo, a viagem da vida. O que não faltam são desculpas para adiar a tão sonhada maternidade. O tempo vai passando, a idade chegando e, além daquela gordurinha localizada que não sai de jeito nenhum, outra coisa vai ficando difícil: engravidar.

É, muitas mulheres passam ou já passaram por uma situação semelhante. Isso é fato. A ansiedade e o desejo de ser mãe brigam diariamente com a ambição em crescer na empresa ou de fazer a sua própria empresa alavancar. Ou, ainda, qualquer outro sonho.

Infelizmente aquele filme “De volta para o futuro”, em que era possível circular pelos anos, é apenas uma ficção. Como dizia Cazuza: “o tempo não para...”. Mas, então, como é possível? A decisão de frear o crescimento profissional e adiar a gestação é muito difícil. E vice-versa também.

Pelo visto você nunca ouviu falar em congelamento de óvulos. Ou, se ouviu, nunca levou à sério. Pois saiba que existe. Funciona. É possível. E tem muitas mulheres optando por essa técnica.

“A mulher que deseja adiar a sua maternidade, é possível congelar os óvulos mantendo o seu potencial de quando realizou o procedimento”, explica a médica ginecologista e obstetra, especialista em fertilidade, Fernanda Pacheco. “Sabemos que, com o avanço da idade, a reserva ovariana da mulher diminui”, continua Fernanda, destacando que o congelamento acaba sendo uma alternativa.

A matemática e simples: se aos 30 anos a mulher decidir congelar os óvulos e usá-los aos 40, estará utilizando a reserva de 10 anos atrás. “Quanto mais precoce congelar, melhor, pois mais novo será aquele óvulo”, difere.

A notícia boa, segundo a especialista, é que é possível realizar a técnica até os 36 ou 37 anos. Foi o que aconteceu com a Anaí Zubik. “Cheguei aos 37 anos e me apavorei com a possibilidade de não conseguir ter um filho, pois tudo passou muito rápido na minha vida”, conta a jornalista que está cursando psicologia. Após uma graduação, uma especialização, um mestrado, a dedicação pela carreira profissional, aliados ao casamento e a uma separação, Anaí não sentia muitas perspectivas de formar uma família, mesmo em um relacionamento sério. “Estávamos mudando nossos rumos profissionais. Eu tinha decidido voltar à faculdade e fazer outra formação, de psicologia, e isso levaria mais cinco anos de muito estudo e dedicação”, lembra ela.

Mas, como dizem por ai: “nada acontece por acaso”. Anaí, migrando de carreira próximo aos 40 anos, foi demitida. Bastou para tomar coragem e investir o FGTS no sonho de sua vida: congelamento de óvulos. “Posso dizer, com certeza, que foi a melhor decisão que já tomei e hoje me sinto um pouco mais tranquila por poder organizar minha vida de forma com que a criança venha num momento mais feliz, não o ideal, porque este nunca vai existir, mas ao menos que não seja algo atropelado e angustiante em função do relógio biológico”, desabafa.

Os novos 30

A geração mudou. E, com isso, o crescimento da barriga. “É muito comum mulheres perto dos 40 optarem por engravidar. Antigamente a única opção da mulher era ter filhos, hoje já não é exclusivo, ela quer também trabalhar, viajar. E, claro, ter a sua família”, destaca a médica Fernanda Pacheco.

Fecha com o pensamento da Anaí.

O processo

O congelamento de óvulos não garante 100% uma gravidez. Esse óvulo deve ser fertilizado e passar por uma série de etapas. Por conta disso, é preciso que a mulher esteja certa da decisão. A probabilidade de sucesso gira em torno de 60% e custa cerca de R$ 15 a R$ 20 mil.

“A decisão e todo o tratamento pré-congelamento não são fáceis, mexem muito com o emocional, mas penso que tudo vale a pena quando a maternidade está presente dentro da gente e, principalmente, quando a ciência oportuniza o milagre da vida em um mundo tão atribulado, tecnológico e cada vez mais acelerado”, reflete Anaí.