Homens e mulheres no mesmo espaço

Alguém aqui conhece homens que exerçam a atividade de costureiro? E de babá, manicure, faxineiro, pedagogo? Invertendo a pergunta, alguém conhece mulheres que atuem com jardinagem (aquela de colocar a mão na massa, não estamos falando de paisagismo), programação, motoentrega, arbitragem de futebol? Se, para surpresa de muitos, a resposta for sim, ela provavelmente vem acompanhada do singular, um homem ou uma mulher em tal função. O fato é que as mulheres têm conquistado muitos espaços no mercado de trabalho e o quadro da diferença de gêneros está cada vez mais equilibrado.

Ainda há desigualdade e preconceito? Sem dúvida, mas os avanços já são muitos e isso não pode ser refutado – e não há mais como voltar atrás, e nem se deve, claro. O diretor nacional de educação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Luiz Edmundo Rosa, afirmou em certa ocasião que “o cenário é indiscutivelmente diferente do passado”. “Está ocorrendo uma combinação cada vez maior de ambos os sexos nas diversas profissões. Não existe mais área feminina ou masculina. As mulheres e os homens estão se misturando, estão mais abertos. Não tem o que é de homem e o que é de mulher”, defendeu.

O Negócio Feminino ouviu alguns profissionais que estão em posições átipicas – vamos chamar assim – e que são muito bem resolvidos no caminho que escolheram:

Tainá Krausen, piloto de avião

“Fui inspirada pelas pioneiras com esse título, como a Elisa Rossi, que foi a primeira pilota da Gol, ou a Bia Figueiredo, que abriu os caminhos femininos na Fórmula Indy. Pensava, porque eu não? Busquei a profissionalização, o conhecimento, a prática com as muitas horas de voo que somos obrigadas a fazer. Bem, hoje, costumo dizer que meus momentos de glória acontecem quando estou no ar, sem dúvida.”

Eduarda Farias, motogirl

“Comecei por necessidade. Nunca gostei de ser igual a todo mundo, então, quando fiz 18 anos, para contrariar a regra, tirei carteira de moto e não de carro. Já dirigia os dois, mas queria mesmo era a independência de ser o que eu bem entendesse. O tempo passou e eu fiquei desempregada de uma hora para a outra. Como tinha muitos compromissos financeiros ainda, não podia perder tempo e, então, resolvi ganhar dinheiro com o que começou como teimosia. Até hoje, quando faço alguma entrega ou coleta, as pessoas se impressionam quando tiro o capacete.”

Cláudio Castro Silveira, recepicionista

“Salvo em hotéis, recepcionista não é um cargo culturalmente masculino, a não ser que . Sempre há nessa função meninas bonitas, simpáticas e bem vestidas. Eu queria uma oportunidade para trabalhar, vi a vaga e pensei que podia, sim, me candidatar, afinal, não dizia em nenhum momento que era vaga exclusivamente feminina. Inclusive, na entrevista, eu defendi exatamente esse ponto de vista. Acho que gostaram disso e me contrataram. Gosto do que faço, de não ter tédio, conhecer pessoas, etc. Estou muito bem assim.”

Luís Fernando Osório, psicopedagogo

“Lembro da época de faculdade, quando eu era o único homem da minha turma, em meio a umas 30 mulheres (ou mais). Com o tempo, conheci outros colegas que também eram minorias e alguns até se formaram comigo, mas éramos pouquíssimos. Isso era assunto recorrente em sala de aula ou em grupos de amigos. Acho uma grande bobagem pensar que Pedagogia é para mulheres, ou que elas sabem lidar melhor com crianças, por exemplo. Se tratássemos essas questões de gêneros no mercado de trabalho com mais naturalidade, muitos campos poderiam ser menos desiguais.”

Sempre bom saber

Vocês sabiam que o artigo 5º da Constituição Federal assegura a igualdade de todos perante a lei, "sem distinção de qualquer natureza"? Algumas diretrizes é de grande valia que todos saibam, pois norteia muitas lutas pela igualdade de gêneros no mercado de trabalho epsecialmente.

Já na Consolidação das Leis Trabalhistas, mais conhecida como CLT, que rege os profissionais que trabalham com carteira de trabalho assinada, o artigo 461 proíbe a distinção de remuneração entre os que exercem idêntica função, na mesma localidade e para o mesmo empregador. Ou seja, teoricamente, algumas descrepâncias salariais entre homens e mulheres não deveriam fazer o menor sentido.

A CLT ainda proíbe atos como anúncios de emprego que façam referência ao sexo; recusa de empregar, promover ou motivar a dispensa do trabalho em razão de sexo, idade, cor, situação familiar ou estado de gravidez; considerar o sexo (bem como os demais aspectos citados acima) como determinante para fins de remuneração, formação profissional e oportunidades de ascensão profissional; impedir o acesso ou adotar critérios subjetivos para inscrição em concursos em empresas privadas, entre outros.