Cris escreve todas as sextas-feiras.
2016, o ano que já nasceu profundo

Neste ano que já nasceu muitas reflexões invadiram minha alma e continuam a tentar meus pensamentos. Toda essa transformação que abençoa meus dias, durante o último mês de gravidez, está colocando em cheque o que me rodeia e minhas próprias emoções.

2015 foi um ano revelador até o último minuto e 2016 está seguindo no mesmo compasso, porém desacelerando o passo. Em meio a gratidão maior que foi a renovação do amor pela concepção do nosso pequeno e as conquistas profissionais, vivi, também, situações difíceis. E percebi que cada  uma delas me atingia de fora. Não era algo interno, era externo, como que para testar os ânimos e trazer aprendizados.

Além de toda essa crise política e de corrupção que violentou nossos país, amizades caíram por terra. Toda a fragilidade do ser humano que costuma orbitar em torno do seu próprio umbigo foi desvelada. E aqui eu pergunto: quem já não passou por momentos assim?

Ao longo da minha vida, de tempos em tempos, isso acontece, ruindo o cristal que considerava intacto. Não foram muitas vezes, mas sempre dolorosas. Máscaras quando caem, costumam fazer um barulho ensurdecedor.

Mas o que pensar afinal? Como agir?

Antes, eu me revoltava. Até já me coloquei na condição de vítima. Hoje, eu abomino esse sentimento. Não gosto de quem se vitimiza e  escolho não me vitimizar. É pequeno demais agir assim. Pequeno e triste, porque criamos ao redor de nós uma onda de negatividade e conspiração e passamos a nos alimentar dela, como vampiros.
Quem se vitimiza, engana a si mesmo e vive uma ilusão.

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Pois bem, a escolha estava feita, 2016 seria diferente. Mas para comprovar a mudança, o universo conspira e nos testa, mais de uma vez. Foi o que aconteceu, inclusive no último dia do ano. Fui testada no limite, o que me entristeceu, não pela coisa em si, mas por perceber que a confiança e a parceria que um dia existiu tinha sido quebrada e uma vez quebrada, não temos mais como juntar os cacos, as marcas permanecem.

Compartilhei com poucas pessoas o ocorrido, somente meu marido e minha mãe, primeira atitude acertada, não sair por aí falando mal do outro e me colocando na condição de vítima, lembra?

E, enquanto a revolta era grande por parte deles, uma paz se fazia em meu peito.

Escolhi respeitar, tratar com gentileza, pois não poderei fugir do convívio, mas o cristal já estava quebrado. Passei a entender as fraquezas, tanto a minha quanto a do outro. Estamos aqui para evoluir e cada um tem seu tempo. Isso não significa que devemos aceitar tudo que nos acomete, muito menos oportunismos. Principalmente, se temos a convicção de que agimos de forma correta e sem injustiças.

O bonito disso é a gratidão, devemos agradecer a Deus quando as máscaras caem, quando a verdade é desvelada. Agradecer pela proteção! Dalai Lama disse uma vez que “é muito melhor perceber um defeito em si mesmo, do que dezenas no outro, pois o seu defeito você pode mudar”.

Para mim, está feito! É por essa estrada que irei caminhar, deixando de lado meu ego e indo ao encontro da minha essência, da minha própria transformação. Não é fácil, demora. Mas com certeza, será lindamente gratificante.