Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
3 vezes em que você não foi ouvida (ou que você não escutou direito)

Saber ouvir é um dom. Útil para todos os tipos de relacionamentos – amoroso, familiar e profissional. Mas será que você ouve de fato o que o outro está dizendo? E será que o outro está te ouvindo mesmo? Eu aprendi a identificar de três maneiras bem simples e acho que pode ajudar você também. Vamos a elas.

1 – Alguém interrompeu você quando estava falando para dar sua opinião – O ditado “nem molhei o bico” serve direitinho para quem não consegue concluir um raciocínio sem que alguém se atravesse no meio. Você se prepara uma semana para apresentar um projeto ao seu chefe e, quando vai apresentar, ele mal deixa você falar, pois a cada slide ou argumento seu, ele tem uma consideração “importante” a fazer. Você tem uma reunião com o cliente para apresentar uma ideia e ele te desmotiva logo no seu primeiro minuto de fala, dizendo que é inviável financeiramente, que a diretoria não vai aprovar tanta inovação, pois são conservadores, e por aí vai o “corta tesão”. Você está numa conversa sobre um trabalho com os colegas e, quando vai dar sua opinião ou ideia, alguém interrompe antes de você concluir e diz que acha que não é o caminho. Não deixar seu funcionário, parceiro ou colega expor sua ideia ou opinião até o final, interrompendo-o a cada frase e quebrando seu raciocínio, é a prova de que a pessoa não sabe ouvir. Esse tipo de gente é aquele que enquanto o outro fala está pensando no que vai falar. Ou seja, o tempo de escuta, ele gasta elaborando seu contra-argumento.

Ah, se todos fossem como minha psicóloga que escuta e depois fala. Se todos lembrassem do xingão básico dos nossos avôs que diziam: “quando um burro fala o outro baixa as orelhas”. Gente, é simples. Escutem até o final e anotem em um papel as considerações para fazer depois. Não vai doer. Segurem essa ansiedade!

A sensação de ser interrompida é a mesma de quando você está toda empolgada contando uma história e alguém fica interrompendo querendo adivinhar o que aconteceu depois. Ou quando você está contando uma piada e a pessoa fica rindo antes do fim porque está imaginando. Ou de alguém gritando gol antes de aparecer na TV porque está ouvindo pelo radinho. Vai dizer que essas pessoas não merecem meu percentual de raiva do dia? Dica: escute se quer ser escutado. Se policie mais.

2 – Eles pediram sua opinião, mas não a consideraram - Em cada entrevista que faço com gestores de empresas no meu dia a dia de trabalho, eles falam em escuta. Ou seja, no quanto é importante ouvir o funcionário, seja por meio de feedbacks frequentes, conversas informais, pesquisas de clima, caixa de sugestões, ouvidoria, reuniões e por aí vai. Para eles, a base da gestão de pessoas está na escuta. Mas será que isso tem funcionado nas empresas na prática? Será que após ouvirem seus funcionários, os gestores fazem a devolutiva? Dão o sim ou o não e justificam o porquê? Ouvir é mais que dar espaço para eles falarem. Ouvir é prestar atenção e levar em consideração. É refletir. É estar aberto às críticas sem agir na defensiva. É prestar atenção nos sinais, nas atitudes, na expressão facial e corporal. É mais: é saber o que cada funcionário seu faz, o que ele pensa sobre a empresa, o que ele pensa sobre a carreira dele, é saber seu histórico e entender seus motivos, ou seja, é estar próximo dele. Ouvir é ver, sentir, interpretar e responder também.

Se o funcionário reclama o tempo todo, é sinal de que ele está insatisfeito. Chame-o para conversar e peça o feedback dele sobre a empresa e a liderança. É ele que faz a máquina andar, então deve ser ouvido. Sempre será mais fácil demitir um funcionário insatisfeito que contamina os demais do que reverter o jogo e motivá-lo. Mas o mais fácil raramente é o certo, lembre-se disso.

3 – Ouviram o que você disse, mas não te escutaram -  Escutar não é só estar com os ouvidos abertos. Escutar é olhar nos olhos de quem fala. Não vale escutar o outro enquanto está mexendo no celular ou no computador. Além de você não estar com sua atenção 100% naquela pessoa, é falta de educação. Lembre-se sempre que ouvir é diferente de escutar. Então, a lição final é: escute. E isso serve para mim também que ainda faço errado muitas vezes.

A partir desses três exemplos, vamos cuidar mais para ouvir direito e assim poder cobrar o mesmo dos outros. Um velho ditado já diz: “temos duas orelhas e uma boca para ouvir mais e falar menos”. Fica a dica.