Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
30 de março, 30 anos


Dia 30 de março, 30 anos. Neste ano de 2017 me torno uma balzaquiana, com muito orgulho. Sei das inúmeras conjecturas sobre a mulher de 30, e sobre o quanto ela é teoricamente muito mais interessante com essa idade do que quando tinha seus 20. Algumas hipóteses me convencem, outras nem tanto. Creio que cada idade tem sua magia e beleza. Eu, por exemplo, amei cada década dessas apenas três vividas. E em cada uma delas descobri uma nova Tássia – e me apaixonei por todas versões de mim. Porque mudar ou me adaptar às mudanças sempre foi meu forte (quisesse eu ou não).

Falando em nova Tássia, vamos ver qual vem por aí agora. Tenho alguns palpites. Acredito que continuarei com meu espírito jovem que não se contenta em ficar em casa vendo a vida passar pela televisão. Seguirei sendo a eterna adolescente que gosta de uma festa e de cantar com as amigas na balada interpretando as músicas. Seguirei sendo a rata de academia, mesmo quando não estiver focada na dieta, só porque adoro ir treinar, bater um papo com todos e me sentir menos culpada depois que o dever foi cumprido. Seguirei sem me sentir menos mulher porque não cozinho e não uso salto no dia a dia. Seguirei fiel ao meu travesseiro preferido dentre os quatro, e ao bichinho de pelúcia que dorme comigo há anos sem me sentir infantil por isso.  Seguirei sendo amorosa com animais, vizinhos, idosos e crianças; e educada com estranhos. Seguirei bagunçando tudo para não perder a hora, e perdendo horas arrumando tudo depois – quando eu quiser. Seguirei empilhando livros e revistas que não consigo ler. Seguirei dormindo tarde e acordando cedo, e passando o dia com sono – e não me orgulho disso. Seguirei dona dos meus cachos, do meu corpo, do meu jeito. Seguirei amando minhas qualidades e meus defeitos.

Com 30 anos recém-feitos, hoje me dou o direito de mencionar o clichê de que a idade está apenas na identidade. A minha alma é de novinha, tanto que tenho uma tendência bem grande a ter amigas e amigos mais jovens que eu – e adoro. Mas então, o que muda agora? Olha, eu penso que serei cada vez mais fiel à minha personalidade. Me adaptando aos outros na medida em que eles também se adaptarem a mim. Muda também a experiência. A bagagem que carrego me faz saber quando ser racional e quando ser emocional e como driblar cada situação de uma forma mais inteligente. Muda que vou me abrir mais ao desconhecido (mais do que já costumo): vou viajar mais, escutar outras músicas, ler outros livros, ver outros filmes, fazer outros amigos, desfazer meus próprios padrões. Vou dizer mais “nãos” para tudo que não está me caindo bem. Vou soltar tudo que é pesado. Vou me desculpar menos por erros que sequer cometi. E vou viver mais para mim e menos para os outros. Porque hoje sei que a única certeza na vida são as mudanças. Então que elas sejam bem-vindas.