Caroline escreve mensalmente, sempre nas terças-feiras.
Acima de tudo, respeito

Nas últimas semanas, tenho pensado muito sobre respeito e o seu significado. Talvez seja porque tenho escutado e presenciado muitas situações de desrespeito, tanto no ambiente corporativo quanto nas relações pessoais. Esses inúmeros casos geraram alguns questionamentos: o que está faltando a essas pessoas? Para onde foi a tolerância? O quanto um líder que não possui respeito pela sua equipe pode ser venenoso para a obtenção dos resultados? 

Acredito que o respeito é o mais básico de todos os valores de um ser social. É o que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém. Na liderança, ele é um dos pilares-chave, e contribui para atingir o objetivo de inspirar e levar as pessoas a cooperarem espontaneamente, liberando a capacidade de criação e a melhoria dos resultados. Ninguém segue um líder por acaso; as pessoas seguem aqueles cuja liderança é respeitada e admirada. Pessoas são atraídas por líderes melhores que elas. Quando não existe respeito e a relação carece de admiração, o que se constrói são pessoas fingindo que fazem, que obedecem, ou ainda, gente fazendo o mínimo para se manter na empresa e sobreviver.

Em meus atendimentos de coaching e no dia a dia empresarial, tenho visto pessoas tornando-se líderes, ou tendo a influência de um, sem possuírem respeito, nem por si, nem pelos seus comandados. Esses “líderes” relacionam-se a partir do egocentrismo, da necessidade de sempre dar a última palavra, exigindo que todas as ações sejam executadas exatamente da forma como eles determinam. Líderes que não têm respeito pelas pessoas, que não despertam a admiração, que administram a partir de uma postura individualista, invariavelmente levam seus times à improdutividade e a péssimos resultados.

O crescimento profissional e os resultados ocorrem com as pessoas, e não através delas. Liderar não é um processo simples; ao contrário, é de extrema responsabilidade e tem como premissa básica gostar de pessoas. Atualmente, o foco de todos os cursos que tenho visto em liderança fica restrito ao que o líder deve fazer, ou seja, a parte técnica da liderança, e esquece do líder enquanto pessoa, da parte comportamental. Talvez por isso temos tanta impaciência, intolerância e desrespeito daqueles alçados como líderes. Foram colocados em seus postos por questões técnicas, mas não possuem nenhum preparo para lidar com as pessoas, com cenários turbulentos ou momentos de mudança e pressão.

Liderar é primeiro gostar de você, aceitar-se e reconhecer os seus limites, medos e talentos, para que possa construir relações saudáveis e de apoio mútuo, nas quais todos estão comprometidos com os objetivos e os resultados a serem alcançados.

Liderar é, acima de tudo, respeitar.