Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Amigos, amigos, negócios à parte

Ei, você aí, consegue separar amizade e trabalho? Você sabe ser amiga da sua chefe sem perder o respeito por ela, entendendo a hierarquia da empresa e sabendo o limite da amizade da porta para dentro? E você, chefe, sabe se impor diante das amigas que são suas funcionárias na hora que precisa? Sabe quando é preciso puxar a orelha de uma delas ou até demiti-la? E ela saberá entender que sua atitude ou decisão é meramente profissional e não levar isso para o lado pessoal?

Vejo essa situação melhor administrada entre os homens. Já vi chefes e funcionários sendo grandes parceiros de futebol, cervejada e churrasco e até tirarem férias juntos, mas dentro da empresa são outros 500. Mas entre mulheres, como em quase tudo, nada é tão simples quanto parece (ou de fato é no mundo masculino). As mulheres, na maioria das vezes, misturam o pessoal e o profissional, e é aí que mora o perigo.

Se a amiga-chefe falar para a amiga-funcionária que o desempenho dela está abaixo do esperado, que ela agiu da maneira errada ou falhou em determinada tarefa, a funcionária pode discordar no seu íntimo e até aproveitar a afinidade e intimidade para dizer que não concorda com o ponto de vista da chefe, mas deve saber a hora de parar de bater o pé e entender que o puxão de orelha nem sempre é um debate, às vezes é um simples e direto “Ok, entendo seu lado, mas a partir de agora você vai agir assim, goste ou não, porque é assim que tem que ser de acordo com as expectativas, valores e estratégias da empresa”. Nesse caso, estamos falando de uma relação madura onde cada uma faz seu papel e dali para fora podem voltar a ser as amigas que falam palavrões enquanto desfrutam de uma noite com amigos e cerveja.

Há também o outro tipo de relação entre amiga-chefe e amiga-funcionária. Nela, a chefe não assume seu papel maior e opta ficar na defensiva de sua amiga (ops, não deveria ser só funcionária no horário de expediente?). Nesses casos, ela acoberta e protege a amiga-funcionária em casos como ausências, falhas, comportamentos inadequados, baixo desempenho e por aí vai; assim como a amiga-funcionária idolatra a amiga-chefe, afinal, ela é sua heroína na hora do desespero e não a vilã que diz coisas como “vamos ter que fazer horas-extras”, “o trabalho vai ter que ser refeito porque o diretor ou cliente não gostou” e etc. Ser cúmplice nem sempre é ser profissional. Se você é gestora de sua amiga, pior ainda, afinal, em reuniões de RH você deve esquecer que ela é sua amiga e avaliá-la como profissional, sendo isenta e analisando criticamente. E você é capaz disso? Se não é, pense bem antes de ir a fundo numa amizade de trabalho ou de contratar amigas.

Amizade e trabalho são duas coisas essenciais ao homem. Sendo assim, como fazer para que um lado não prejudique o outro? Não são raros os casos de amizades que terminam por conta do trabalho. Assim como não são raros os trabalhos que são prejudicados por amizades. Mas há também situações que são como jóias raras, nas quais amizade e trabalho formam a combinação perfeita para inovação, criatividade, desenvolvimento e crescimento. Cabe a vocês amigas-chefes e amigas-funcionárias buscarem ser valiosas assim para sua empresa e para o mercado do lado de dentro, e preservar a amizade valiosa do lado de fora.