Cris escreve todas as sextas-feiras.
Por que o amor acaba?

Quando um amor acaba, a dor que fica é única, tanto para quem já o sabia de antemão, como para quem diz que foi pego de surpresa. Essa infeliz realidade é repetitiva e paira no ar há muitos anos: de um lado, aquele que sofre calado e que vai dando sinais e alertas de que as coisas não estão nada bem e do outro aquele que por motivos mil, está sempre mais preocupado com o próprio umbigo, que não consegue perceber nem os sinais, nem os alertas.

O que mais faz acabar um amor, não são as traições, mesmo estas sendo fulminantes.

E sim, uma sequencia de banalidades que vão pesando nos ombros, ao longo dos dias, dos anos, da vida. Uma sequencia de banalidades que aos poucos vão constrangendo, limitando os horizontes, invadindo a casa, a cama e a relação. Quase como um campo minado. Chega uma hora que são tantas bombas por todos os lados que fica difícil andar em terreno seguro.

Quando percebemos que o olhar do outro já não carrega o mesmo brilho, que as palavras são tensas, que as atitudes são de afastamento, precisamos inquirir atenção.

Estes são fortes indícios de que o amor adoeceu e que se de fato amamos, teremos que tomar algumas decisões importantes.

Para mim, a primeira delas é se colocar no lugar do outro. Muitas vezes costumamos olhar para o parceiro achando que a vida dele está as mil maravilhas, mas no fundo, lá no íntimo, as coisas não estão bem e a gente que não olhou com olhos de enxergar, acabou não captando as entrelinhas.

Tá certo que os relacionamentos não são como flores de plástico, todos temos altos e baixos e saber passar por esses tsunamis faz parte. Mas só conseguimos ultrapassar as intempéries de uma relação se o amor se faz pressente, de verdade. Caso contrario, é um pra cada lado.

Colocar-se no lugar do outro, entender o que se passa lá dentro é um exercício e é nele que mora uma das maiores lições de vida: esquecer de si, nem que seja somente por alguns momentos.

Pois nesse mundo onde o ego impera, quando agimos assim, nos esvaziamos de nós para transbordar do outro. Um caminho de infinita sabedoria. Sabedoria que pode salvar corações, antes mesmo deles se partirem. Sabedoria que pode nos salvar de nós mesmos.