Cris escreve todas as sextas-feiras.
Minha bagagem

Pensamentos. Sentimentos. Vamos construindo a vida assim, um dia de cada vez, um instante depois do outro. E quando olhamos para trás, enxergamos um caminho rabiscado no horizonte, visível somente a nós e a mais ninguém.

Nele, vamos buscando a nossa essência. Vamos tentando nos encontrar de verdade em cada gesto, em cada atitude. Sim, porque muitas vezes agimos por um impulso que não partia de nós, e sim de fora.

Decisões erradas, acertos, arrependimentos, agradecimentos. Vemos tudo.

Desde bem pequeninos, numa idade em que conseguimos lembrar, do amor dos pais, os carinhos, as palmadas, os limites e até a falta deles. Como reagíamos perante o que vida nos apresentava. Olhando para o passado, vamos redescobrindo nós mesmos. Aquilo que nos motiva e dá força para seguir adiante.

A escola, os amigos, os defeitos, as ofensas, as estradas percorridas e as idealizadas. O grupo do qual fazemos parte. O grupo do qual não fazemos parte. Quem era a nossa turma? Por que aquelas pessoas, e não outras? O que precisávamos aprender ali? Aprendemos alguma coisa?

As provas, os testes, as colas. As reuniões dançantes. O primeiro beijo, os outros beijos. O primeiro amor. A primeira transa. A primeira decepção. Por que ela aconteceu? O que o universo queria nos mostrar? Aprendemos a lição ou ela foi se repetindo ao longo da vida?

A inocência, a carência, a amizade, o amor. A intolerância, a injustiça, os sofrimentos. Os sorrisos, a alegria, a felicidade e a vontade de abraçar o mundo. Muitas vezes, tudo junto e misturado. As ansiedades, as angústias, as lágrimas. A gratidão por cada momento de vida, cada aprendizado, cada pessoa, cada sentimento, cada pedaço do nosso caminho.

O trabalho, a correria, a família, a religião, o lazer. Tudo tem que fazer parte da nossa vida. As notícias, os velórios, os nascimentos. Os abraços e consolos. Os abraços e afetos.
Nossa caminhada renasce a cada nova hora do dia, nossas motivações mudam e nosso coração bate diferente, mas a nossa essência é uma só. Quem somos nós? Fizemos o melhor que podíamos ou simplesmente fizemos de qualquer jeito?

Tem certos dias que eu me pergunto, que me olho, me vejo e não me entendo. Tem dias em que eu me busco e tento reconstruir a minha vida com a bagagem de “eus” perdidos pelo caminho, reconstruindo novas estradas, transbordando a jornada.