Cris escreve todas as sextas-feiras.
Ciclos da vida

Casamento sempre me emociona. São duas pessoas que reconhecem-se e firmam um laço de amor. Quando o juiz de paz fala, acho frio, mas quando a cerimônia torna-se plena através de palavras doces vindas de um religioso ou de amigos ou da família dos noivos, derramo-me.

Final de semana passado, uma amiga muito querida casou. Quando a Nanda adentrou o salão da Sociedade Germânia em Porto Alegre, meus olhos encheram-se de lágrimas. Ela estava linda, iluminada. Fomos colegas de escola, de segundo grau, hoje mais conhecido como ensino médio.

Vivemos a adolescência juntas, aquele transcorrer para a fase adulta, onde praticamos fortemente o desapego, para enfrentar vestibular e o mundo que apresenta-se inteiro para nós. É uma época primorosa, onde não reconhecemos a palavra medo. Somos feitas de coragem.

Lembrei de tudo em um segundo. Das conversas, dos estudos, das festas, das provas, da amizade que veio em meados dos anos 90 e ficou, para nunca mais ir embora.

A Nanda é daquelas pessoas únicas, como uma de nossas amigas falou durante a cerimônia. Ela é aquela amiga além do whatsapp, ela liga mesmo, costuma firmar contato olhos nos olhos, com aqueles lindos olhos azuis de oceano.

O casamento dela me emocionou mais que os outros. Uma sensação incontrolável de felicidade.
Olhando para ela e para o Daniel, vi nossas vidas, nossos caminhos e escolhas, percebi que sou mãe e acho que todo esse turbilhão que é a maternidade me deixou assim, transbordando.

Ela é judia, ele, não. Nunca tinha ido num casamento típico da religião judaica, foi minha estréia.

Não teve rabino, teve o casamento civil e depois palavras ditas por amigos dos noivos e finalmente pelo pai da noiva. Ah! O pai da noiva. A sabedoria de um pai é um aprendizado para a vida toda.
Lembrei do meu que não está mais por aqui. Deu saudade. Então as palavras daquele pai, serviram para mim. Como se estivesse ouvindo o meu próprio pai. E são essas palavras que quero somar com vocês.

Ele falou sobre os ciclos. Nascemos, crescemos, somos cuidados por nossos pais, que desdobram-se em mil para estar ali, dando amor, orientação, mais amor, simplesmente estando por perto, o que já é muito. Isto faz parte de um ciclo da vida. Quando casamos, para formar nossa própria família, nossos pais encerram esse ciclo conosco, para começarmos outro, onde tudo se desenrola novamente.

Ele entregou sua filha Fernanda para Daniel, para que ele cuidasse dela. A partir de agora, é com ele. Novo ciclo, nova fase e o recado foi dado com profundidade.

Sem rodeios e floreios. Sem dramas e delongas. Sem o politicamente correto que já se tornou um fardo. Sem feminismo ou machismo. Sem conversa fiada, porque a vida é feita  desses ciclos. Desses e de tantos outros.

Podem me taxar de ‘à moda antiga’, vou adorar. Sou mesmo. Gosto das coisas simples e claras. Gosto da vida como ela é, sem bandeiras, mas com todo o respeito do mundo.

E para completar dançamos as músicas típicas da religião judaica e emanamos todas as boas energias para os noivos. Lindo de viver. Contagiante! Aproveito para me escalar, se souberem de mais um casamento judaico por aí, me chamem. Fiquei apaixonada. Eles sabem fazer uma festa, como ninguém.

Eles sabem.