Cris escreve todas as sextas-feiras.
Colecionadores de anos

E mais um ano finda, um ano difícil para muitos brasileiros. Um ano confuso e conturbado para a política e para a economia. Mas um ano bom, um ano em que as máscaras caíram e, ainda, nesses últimos dias, muita coisa pode acontecer.

Revelações, tragédias, tristezas. Mas também vitórias, alegrias, união.

Dizem por aí que mar calmo não faz bom marinheiro. E em 2015 fomos testados e treinados até onde deu. De todas as formas, de todos os jeitos.

Este ano, encabeçado por Ogum, que no sincretismo é São Jorge, o guerreiro que matou o dragão, o guerreiro da espada, fez valer a história. Não lembro de um ano ser tão bem representado como este.

O livro "A Arte da Guerra” ensina que uma das artes é conhecer o inimigo antes de combatê-lo. E neste ano que fica, muitos foram desvelados. Os dragões da corrupção, os dragões do convívio, àqueles que jurávamos serem verdadeiros, mostraram-se tal qual realmente são.

Dói? Claro que dói. Só que a verdade antes de tudo conforta, te coloca num lugar seguro. O conhecimento é uma fonte interminável de confiança. Tornamo-nos sábios a partir dele. A clareza também deve estar presente e andar de mãos dadas com o discernimento, para que possamos enxergar tudo aquilo que se faz visível em nossas vidas. Para que não mais façamos a bobagem de tapar o sol com a peneira.

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E assim vamos levando. Colecionando anos em nossas bagagens. Histórias que valem a pena e outras tantas que é melhor deixar pelo caminho.

Por esses dias, li uma frase que tem tudo a ver com essa conversa: “guardar, estraga”. Pequena no tamanho e grandiosa no significado. Guardar, estraga mesmo. Primeiro, quem guarda nutri um sentimento de posse: é meu, faço o que quero, portanto se quiser guardar, eu guardo.

Imaginem só, se as grandes mentes do mundo guardassem as grandes invenções e as grandes descobertas para si, sem compartilha-los com o todo. Será que ainda pensaríamos que a Terra é plana?

E guardar sentimentos? Acabaríamos sufocados com o amor, afogaríamos no choro e morreríamos de raiva. E tudo isso pra quê? Por nada, cometeríamos os mesmos erros, as situações se repetiriam em nossas vidas, até nos darmos conta de que precisamos mesmo é transbordar.

Guardar roupas que não usamos, alimentos vencidos, amizades de ocasião. Nada disso faz bem. Toma como meta para o ano que começa se desfazer de tudo que pesa. Deixa pra lá as algemas e as bengalas. Perceba a vida de cima, tira o foco do que te agrava e conecta com o que te faz bem.

Olhando o todo, vemos o quão pequenos são nossos problemas. Esses monstros que tratamos de criar e alimentar até nos engolirem por inteiro.

Colecionando anos, colecionando tempo, acabamos aprendendo que tudo, mas tudo que acontece ao nosso redor tem ligação direta com aquilo que construímos em pensamento e com as atitudes que tomamos. Então, dê um chega pra lá nesses monstrinhos, mata o dragão e deixa tua vida mais leve. Quanto mais leve, mais você poderá ir adiante, voar. amar e ser feliz!