Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Constrangedor para mulheres, normal para os homens. Pode isso?

É possível que, em pleno século XXI, ainda existam tabus a serem quebrados? E se eu disser que esses tabus são relativos a necessidades fisiológicas básicas de qualquer ser humano, o que você me diz? Mulher que peida é broxante, que arrota é mal educada, que tem chulé é porca e por aí vai. E isso não está na cabeça só de alguns homens, não, está na cabeça de muitas mulheres também. Agora, se for homem, não há nada de errado nisso (e por que haveria?). Para eles, não há vergonha e nem nojinho. Eles peidam, arrotam, cagam, mijam, têm asa, têm chulé... assim mesmo, com esses nomes feios que muitas de nós não gostamos nem de pronunciar. Acontece que nós, mulheres, também fazemos tudo isso – gostemos ou não. Vamos encarar a realidade moços e moças? Não somos Barbies, somos de carne e osso e esse assunto faz parte do seu dia a dia. Sim, do seu dia a dia, minha cara!

A gente peida, sim, mas prefere dizer que está com gases. Dificilmente as mulheres mais recatadas vão dizer “eu peidei”. Elas dizem “soltei um pum”. Cafona, né? Mas confesso que eu acho “peidei” uma palavra muito feia mesmo. Para algumas, ter flatulências na frente do namorado ou marido é o fim dos tempos. Já eles até se orgulham do alívio que um bom peido causa. Têm homens que até levantam de leve a perninha, já reparou? E alguns nem fazem questão de fingir que não foram eles. Vão logo falando aos quatro ventos que peidaram, como se fosse um troféu. Se soltam um traque no trabalho, assumem logo e riem de si mesmos. Se a mulher fizer isso, talvez peça demissão no dia seguinte de tanta vergonha. O mesmo serve para o arroto. Na mesa, continua sendo falta de educação, mas é menos condenável se vier de um homem após um bom gole de Coca Cola ao terminar a pizza de sexta-feira.

Quando eles sentem vontade de fazer cocô, não falam “vou fazer cocô”, falam logo “vou cagar”. E quando saem do banheiro já vão avisando: “melhor não entrar ainda que a coisa tá feia”. Quanto mais feia a coisa, mais os homens se orgulham de falar uns pros outros. Se você conviver com um grupo de homens juntos, tipo em férias, vai ver que eles chegam da rua depois de uma janta já fazendo fila. Já as mulheres, se não forem muito íntimas, evitam contar o motivo da trajetória rumo ao banheiro. Aproveitam para ligar a ducha e já emendar um banho. E se não tiver como disfarçar, podem dizer que estão mal do estômago ou com dor de barriga. Às vezes, não é dor de barriga, é apenas aquela vontade normal de eliminar a comida ingerida no dia. E então, que mal há nisso?  Nenhum pesadelo é maior para a mulher do que sentir vontade de fazer o número 2 longe de casa, como no trabalho, por exemplo. “E se der para ouvir do lado de fora o barulho dos gases? O pessoal vai saber que tô fazendo cocô de tanto tempo que tô demorando no banheiro... Eu tô trancada, passando mal, e o telefone tá tocando incessantemente na minha mesa”.

Gente, vamos cair na real? Não importa se a mulher é gata e gostosa ou se é mais moleca mesmo, mas todas elas são seres humanos que têm necessidades fisiológicas. Sendo assim, aceitem que dói menos. Nós, mulheres superpoderosas, peidamos, arrotamos, roncamos, tiramos tatu do nariz, tiramos cera do ouvido e blá blá blá. Nós e a Cameron Dias, a Juliana Paes, a Sasha Grey e até a Sandy, acreditem!