Cris escreve todas as sextas-feiras.

Ao longo desses dias, as redes sociais, os jornais e os assuntos giraram em torno do caso da menina de 16 anos que foi violentada por mais de 30 homens no Rio de Janeiro. Revoltante. Triste.

Desesperador. Assustador. Nojento. Muitos sentimentos juntos e misturados brotaram nos corações de todos nós com essa notícia abominável.

Independente se 30 ou se 1, uma profunda repulsa se fez presente. Mas 33 é um número realmente apavorante. E o pior é pensar que ao redor do mundo, milhares de mulheres e crianças são violentadas diariamente. E que em alguns governos da África, Oriente e em alguns lugares da Europa e da Ásia a violência contra a mulher não é vista como crime. Dados de 2012, comprovam que a cada 27 segundos uma mulher é estuprada na Africa do Sul.

Muito além dos números, as sequelas e a dor que ficam são imensuráveis. Pouca gente sabe, mas uma mudança na lei, em 2009, prevê que constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a praticar ou permitir que com ele se pratique ato libidinoso diverso da conjunção carnal, é crime.

Ou seja, só tocar já é considerado estupro e mesmo assim nada muda. Além de penas mais severas, é preciso saber orientar nossos filhos. Isso tem tudo a ver com educação.

Acredito que o termo “Cultura do Estupro” venha daí. Apesar de não concordar com ele. Não acho que o estupro seja algo cultural. Mas acredito que o machismo por sua vez, é cultural e dele provém todo o resto. Aqui eu falo de extremos. Não sou a favor de nenhum extremo, inclusive do feminismo. A meu ver o equilíbrio é sempre a melhor escolha.

Muito além do aspecto cultural, a violência tem fundo em nossos instintos mais animalescos. Não somos fêmeas, somos mulheres. Da mesma forma, homens não deveriam ser machos e sim, apenas homens, dotados de razão e inteligência suficiente para saber a diferença entre o certo e o errado.

Todos, sem exceção, têm esse discernimento. Então, por quê não conseguem, de fato, controlar esse instinto?

Psicanalistas e defensores dos direitos humanos dirão que o algoz é tão vítima quanto a própria vítima. Eu digo, que se continuarmos tratando esses casos com tamanha conivência, eles vão continuar a torto e a direito, acontecendo em todos os lugares possíveis, inclusive dentro de casa.

Pesquisas mostram que 70% dos casos de violência são cometidos em casa, por parentes ou namorados da vítima.

Agora, culturalmente falando, a mulher costuma levar a culpa por ter sido violentada. E pior ainda, é ouvir essas insanidades provindas das bocas de outras mulheres. Frases como: “também, olha a roupa dela” ou “estava andando com traficantes, mereceu” ou ainda “ela procurou por isso” e muitas outras que não convém mencionar, me dão ânsia de vômito. O machismo impera na cabeça de muitas mulheres que por sua vez criam filhos de forma errada e nem percebem, pois esboçam esses absurdos na frente deles, sem peso nenhum na consciência. Então, eu pergunto para essas infelizes: é só a menina da favela que sofre abuso? É só o traficante que comete a violência?

Não minha gente, não é! O desvio de conduta paira em todas as classes, gêneros, faixas etárias e raças e não somente em um parcela da sociedade. Justo foi terem destituído o delegado machista de comandar o caso e tê-lo passado para uma mulher que rapidinho colocou ordem no coreto.

Mas voltando a educação, junto com toda essa parafernália e lixo que consumimos diariamente em filmes, novelas, campanhas publicitárias e letras de músicas, que fazem alusão ao corpo da mulher como objeto, porque afinal de contas, objeto se pega, se quebra e era isso, um objeto não tem sentimento, o jornal Estadão fez uma campanha, bem interessante, chamando a atenção das pessoas para as músicas que promovem a violência contra a mulher. No aplicativo Shazam, após tocar uma música que incita a violência de gênero, vem o depoimento de uma mulher que sofreu o mesmo tipo de violência.

Quem sabe assim, principalmente as mulheres não se dão conta dos filhos que estão criando para o mundo?