Cris escreve todas as sextas-feiras.
Depende?

A vida é feita de vai e vens constantes, cíclicos, fugazes, serenos. Tudo depende de quem sente, de quem recebe, de quem ganha, de quem perde. Céu e terra confundem-se no horizonte de teus olhos. Fundem-se no apanhado dos meus. Somos todos um, mas cada um de um jeito.

A unicidade não está no ser, está no todo. O ser é individual e assim deve permanecer. A constância e a transformação andam juntas, lado a lado. A continuidade é uma escolha. O equilíbrio precisa de atenção. E os caminhos abrem-se na nossa frente, mas dependem da balança. Para qual dos lados pendemos?

O não é limitador, mas também orienta. O sim é abrangente, mas pode ser ínfimo. Varia com a pupila do indivíduo. De novo, depende. Nesse caso, da bagagem das vidas, do exemplo do lar. Depende de como eu te recebo, de como eu me percebo.

Arrependimentos não são de todo mal. Mas são taxados com categoria. Ou daquilo que tu fez ou daquilo que não houve. Rotular arrependimentos não está no hall das boas receitas. Por quê eu não posso me arrepender do que fiz? E por que eu posso me arrepender do que não fiz? As respostas vem a galope. É preciso cautela. Enquanto isso, a realeza da culpa congrega mais e mais súditos.

Arrependimento, por acaso, é culpa? É sim, senhor.

Acessar esse espaço monárquico é para todos. Quem já não se sentiu assim? Ele beira a humanidade desde sempre. No futuro, talvez mude. Talvez não. Aí, depende. Pois não existe fórmula, bula, preceito. Existe somente a vontade de cada um, que pode se multiplicar a do outro e assim por diante. Numa esfera cada vez maior, crescente e forte.

As culpas são um atraso. Por outro lado, é benefício sentir culpa se por algum motivo, agirmos errado.

Se bem que o bom mesmo, é agir certo. Mas e aí? Depende. O que é certo pra mim, é certo pra ti? Na matemática da vida, o certo é o que não agride. O que não perturba. O que não faz mal. De resto, é firula. O que não depende de fato, são os valores. Estes, quando bem cultivados, perseveram.