Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Deu tilt!

É tanto trabalho na vida e tanta vida no trabalho que às vezes até me confundo. Volta e meia começo um brainstorm intenso comigo mesma pensando sobre qual o sentido da vida. Tá, eu sei que eu não devia pensar tanto, porque isso faz as pessoas pirarem, mas é mais forte que eu. E aí eu fico lá, viajando, pensando coisas como: por que nascemos, por que vivemos, por que morremos? Não bastassem essas dúvidas diárias me atormentando, seguido me encontro em reuniões de pauta pessoais nas quais, infelizmente, a pauta é sempre a mesma. Será que dá para transformar essas pautas em matérias de gaveta? Pior que não. Além da negatividade dos temas, ainda por cima tem follow diário para que se certifiquem de que eu não esqueci de apurar bem o assunto.

Sabe, o briefing que eu recebi quando nasci era bem simples. Algo como: seja feliz. E o detalhamento consistia em verbos como: brincar, sorrir, dançar, cantar, dormir, comer. Mas acho que isso é quando eu era criança. Aí cresci e o cliente pediu alterações na peça. E como a gente bem sabe, nem sempre as alterações melhoram o produto final.

Às vezes fico curiosa para saber o que minhas amigas jornalistas escreveriam em um release para vender uma pauta sobre mim para a imprensa. Será que elas enxergam de verdade quem eu sou além do que aparento? Além das minhas fotos no Facebook ou das minhas piadas em um happy hour? Quantos caracteres seriam necessários para me descrever? Qual seria o título e a linha de apoio da minha vida? Que chamada estaria na capa? Qual seria o lead que resumiria? Seria uma pequena nota, uma matéria ou uma reportagem? Em que editoria?

Se eu pudesse pedir algo à repórter, pediria que ela falasse com as designers para criarem um infográfico gigante, que explicasse em detalhes o funcionamento do meu cérebro em particular. Quem sabe assim eu o entendesse de uma vez por todas e parasse de gastar com a terapia.

Mas já que isso não ocorre, me atenho às minhas leituras, ao network e aos cases como benchmarking buscando respostas para as minhas perguntas. Além disso, pago por consulta por um feedback. Será que não é hora de falarmos sobre meu branding de novo? Ai, meu budget mensal vai estourar.

E qual o deadline de tudo isso? Melhor não saber. Vai valer a pena? Espero que sim. Enquanto não tenho as respostas, que venham os próximos jobs.