Caroline escreve mensalmente, sempre nas terças-feiras.
Errei. E agora?

Certamente você já cometeu algum erro na sua vida. Como foi? Você teve medo das consequências? Ou agiu normalmente, assumiu os resultados e já estava pronto para o próximo desafio?

São muitas as oportunidades que deixamos passar por medo de tentar, de errar, de não sermos bem-sucedidos na atividade. O culto ao erro está enraizado em nossa cultura, na qual supervalorizamos o fracasso e desmerecemos o acerto – este último, como parte de uma obrigação formal de todos. O padrão comportamental do “não posso errar”, “não posso fracassar” ou “não posso expor minhas fraquezas” criou pessoas autocríticas demais e com baixa tolerância a erros.

A busca por ser “super” em tudo, por ser acima de falhas, gerou os superfrustrados ou superdeprimidos. Estes, por MEDO DO ERRO e, consequentemente, da não conquista da tão esperada perfeição, parecem mais robôs que não expõem opiniões com receio de serem inapropriados ou não serem aceitos. São pessoas que não questionam decisões e modelos de gestão por medo de serem reprimidos.

Estamos acostumados a ver o erro como sinônimo de punição certa, e por isso fazemos tudo da mesma maneira: não corremos riscos e optamos pelo seguro e pelo conhecido. Assim, deixamos a nossa capacidade de sermos únicos para sermos um pouco mais parecidos com os demais, como um produto em uma linha de produção.

Errar é um exercício de amadurecimento de ideias, análises e resolução de problemas. Faz parte da aprendizagem individual. Evitar o erro é deixar de cultivar novas experiências, de encontrar soluções, de se reinventar e se redesenhar a partir das adversidades. É deixar de ver que existe vida pulsando dentro de você.

Às vezes, não importa ou não se trata de acertar ou errar, ganhar ou perder, mas de estar no jogo lutando pelo que você quer e estar mais forte por ter enfrentando seus medos. Funciona como uma preparação para um jogo maior. Existe muita riqueza nas falhas e obstáculos, desde que não se assuma uma posição de ficar à margem das oportunidades torturando-se pelos erros cometidos momentaneamente.

Ao não correr o risco de fracassar para viver o sucesso, posso nunca ter o gostinho de chegar lá.  Portanto, quando estiver diante daquele pensamento autopunitivo de que você não pode errar, faça um acordo consigo mesmo e experimente um novo comportamento que o permita ter o melhor aprendizado diante das situações. Seja de erro ou de acerto.