Caroline escreve mensalmente, sempre nas terças-feiras.
Erros e frustrações: Pare de repetir e aprenda com eles

 

Esta semana, enquanto revisava os encontros do meu programa de mentoria e as sessões de coaching para uma certificação, me dei conta do quanto passamos repetindo modelos, deixando de aprender com os erros e as frustrações. O resultado é que, quando menos esperamos, estamos lá, fazendo tudo mais uma vez.

Faço um convite a você: pare por um momento e pense na sua vida, nos seus relacionamentos e na sua carreira. Agora me diga: não parece que, não importa o que faça, você está sempre revisitando o passado? Nessas horas, lembro dos meus professores de história que viviam dizendo: “Se você quer entender o futuro da sociedade, olhe e entenda o que aconteceu no passado”. Afinal, tudo é um ciclo e o momento passado se repete em algum momento presente. Acredito que isso pode valer também para a nossa vida, no melhor estilo “se você quer se entender, observe quantos fatos se repetiram em sua história”.

Mas por que isso acontece? Essa forma de agir nada mais é do que resultado de modelos recorrentes de comportamento, e já adianto que existe uma grande chance de que se repitam novamente, pois são consequência de um modelo mental consolidado e cristalizado pelo tempo.  Ou seja, nosso futuro será uma repetição do passado. Será?

Pense nos seus relacionamentos, em como você vira e mexe acaba vendo o príncipe se transformando em sapo, ou na sua carreira que oscila entre períodos de crescimento e queda, além de outros tantos momentos em que enxergamos essas repetições. Ao final, a pergunta é sempre a mesma: por que sempre acontece isso comigo? Se a resposta que você está tendo é igual, isso pode indicar reação a uma espécie de atitude repetitiva.

O comportamento depende do pensamento. Se não modificarmos esse padrão, teremos sempre a mesma reação diante dos acontecimentos. É importante dizer que não basta apenas o desejo racional de mudança, pois isso é um pouco óbvio – se você não está tendo os resultados que gostaria e percebe-se repetindo questões que já aconteceram, é claro que racionalmente vai querer mudar. Porém, para modificar esse padrão, é necessário que o desejo de mudança esteja internalizado o suficiente para provocar o “shift” necessário.

Gosto muito de Nietzsche, pensador alemão,  que desenvolveu o conceito do eterno retorno. Essa ideia é até hoje um pouco mal compreendida, mas acredito que ela está em sinergia com o que escrevo para você, ajudando a exemplificar um pouco mais a questão. Nesse conceito, Nietzsche usa a metáfora de que todos nós seríamos visitados por um demônio que nos diz recorrentemente que tudo o que fizemos nesta vida, conquistas, derrotas, sofrimentos, prazeres, comportamentos cotidianos, atos esporádicos, tudo, absolutamente tudo, seria repetido, de novo e de novo e de novo, sem fim, e você estaria condenado a viver para sempre a vida que escolheu viver.

Perceba o grifo na expressão “a vida que escolheu viver”. Sim, temos uma escolha, e ela existe a partir do momento em que temos consciência da nossa realidade. Portanto, não podemos fugir de nossa responsabilidade diante da vida, caso contrário, será sempre uma repetição. Essa ideia só aumenta a nossa responsabilidade por aquilo que fazemos e deixamos de fazer. Precisamos cada vez mais assumir a liderança de nós mesmos, pois, para alcançarmos sentimentos de orgulho, satisfação pessoal, realização profissional e até mesmo de felicidade, precisamos de autoliderança. É através dela que teremos estado de presença e autorresponsabilidade bem desenvolvidos para buscarmos melhores resultados e uma vida e carreira extraordinárias.

Observe as suas atitudes, afinal, hábitos podem virar destinos. Já imaginou você seguir vivendo no futuro aquela situação que não aguenta mais ou continuar com aquele resultado medíocre que você sabe, sim, que poderia ser melhor?

Se o que você repete o torna feliz, ótimo. Mas lembre-se de que não dá para voltar sempre a um passado que só faz sofrer.