Caroline escreve mensalmente, sempre nas terças-feiras.
Sobre a felicidade

Sabe aqueles dias pesados nos quais tudo o que você quer é chegar em casa e não fazer mais nada? Foi assim que finalizei mais um dia de trabalho. Entrando em casa, liguei a televisão e vi que estava passando a novela das sete. Rapidamente, um assunto me chamou atenção: uma tal máquina da felicidade, que seria capaz de revolucionar a sociedade dando muito poder aos seus inventores.

Logo lembrei de uma conversa com um amigo sobre o mesmo tema. Nela, concluímos que todos somos seres insatisfeitos por natureza e, a partir disso, a palavra felicidade e seu significado não saíram mais da minha mente. O que quero dessa vida? Sem dúvida, poderia elencar muitos itens, mas, acima de tudo, quero ser feliz.

E onde está essa tal felicidade? Como ela é? Como se percebe, como se adquire esse sentimento, essa sensação – ou essa percepção? Fiquei pensando nos meus momentos felizes e percebi que sempre havia um condicionante. Por mais que eu tentasse pensar nas diversas situações de felicidade, lá estava o maldito “Se”. Foi aí que me dei conta: se tenho saúde, sou responsável por tudo o que acontece comigo e tenho plenas condições de satisfazer as minhas necessidades, eu já sou feliz.

Simples assim – ou, pelo menos, deveria ser. Ao longo de nossa caminhada, colocamos grandes expectativas sobre a vida, sobre as pessoas e obviamente sobre o nosso próprio desempenho. A verdade, porém, é que para encontrar a felicidade precisamos menos de dinheiro e de riqueza e mais de um abandono da ideia que fazemos de nós mesmos e do mundo. Precisamos encarar a realidade sem comparações.

Isso não se faz em apenas um momento ou em um instante que vem e passa, mas através de um sentimento de fluxo contínuo e que depende da sua escolha. Os pré-socráticos acreditavam que a felicidade estava ligada à divindade. Já Platão e Aristóteles a retiraram do céu e trouxeram para o horizonte terreno. Os teóricos da psicologia moderna, por sua vez, afirmam que ela está relacionada a relações autênticas, reciprocidade empática e principalmente ao desdobramento das próprias potencialidades do eu.

Teorias à parte, vejo a felicidade como a manifestação permanente da consciência que tenho de mim mesma, de quem eu sou, de quem eu fui e de quem eu serei, com vitórias e fracassos durante a caminhada.

É uma vocação que está muito mais no mundo interno do que no mundo externo.