Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Essa gente estranha da Comunicação


Alguns usam óculos de grau grandes, cabelos bem repicados, coloridos, raspados de um lado, volumosos, barba e bigode. Unhas pintadas de cores fortes, tênis sem meia, calças dobradas e rasgadas, t-shirts com uma mensagem que dá o recado, estampas criativas. Tatuagens pelo corpo, piercings e muitos acessórios. Seus apês são verdadeiras galerias de tanta referência visual. Suas redes sociais são entretenimento de alto padrão pra quem busca conteúdo criativo. Frequentam festas estranhas com gente esquisita. Trabalham com as pernas cruzadas em cima da cadeira, tomando um chimas ou café em excesso em canecas de HQ’s. Enchem as paredes de post-its coloridos. Escutam música enquanto planejam, criam, escrevem; do samba antigo, passando pelo pop internacional ao jazz. Se expressam com muitos gestos, gírias, palavrões. Um trabalho não vai ser bom, vai ser foda.

Esses seres peculiares e tão comuns uns pros outros, são os estranhos da Comunicação pra aqueles de outros mundos. Os outros nem sempre conseguem se inserir numa roda de conversa desse povinho da Comunicação. Já leu esse livro? Em que episódio tu do Abstract? Já viu Mad Man alguma vez? E a última série do Netflix? O que achou da nova campanha do Zaffari? Qual a agência que fez? Vamos no festival desse finde? Verdade que o fulano finalmente pediu demissão e trocou de agência? Viu que eles perderam dois clientes? Gente, essa criatura não sabe escrever português e é redator! Tenso isso.

Não apenas porque eu faço parte desse seleto grupo de indivíduos, mas eu adoro essa gente estranha da Comunicação. Estranhamente criativa, inteligente, engraçada, alto astral, estilosa, empoderada. Essa gente que fica feliz por nada.

Os sem noção da Comunicação não precisam ganhar muita grana e nem viver de status graças à profissão que consta no diploma. Eles só precisam de um happy hour com os colegas e amigos no fim do expediente, uns copos de cerveja na noite, muitos memes que resumem os seus momentos pra rir até da desgraça e muitas histórias doidas pra contar - das quais eles poderiam se arrepender, mas nunca se arrependem. Se tem um povo que não apenas existe, mas vive, é esse pessoal da Comunicação.

Então, para todos aqueles que acham a gente uma tribo estranha, aquele abraço, pois como disse Nietszche: “E aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”.