Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
A grama do vizinho é sempre mais verde

Com certeza você já ouviu o ditado acima. Não sei sua origem, mas se quiser saber é só jogar no Google (no momento não importa). De qualquer maneira, todos sabemos quando usar essa máxima, ou seja, para nos referirmos a mania que temos de nos comparar com os outros. Ah, o vizinho tem aquele  carrão dos mais furiosos, a guria que ele gosta é bem mais bonita que eu, meus sogros são cheios da grana e não aproveitam a vida, que injusto. Nesse sentido, a comparação é uma grandessíssima idiotice, pois você nunca vai viver feliz consigo mesma se não enxergar o lado bom da sua vida. Sim, porque o carro dele pode ser melhor que o seu e aquela menina pode ser mais bonita que você e não há nada de errado nisso. Aceita que dói menos, não é isso que dizem? Mas isso é assunto para outra crônica, em outro lugar. Aqui falamos de trabalho, babe. E nesse caso, a comparação pode ser um bom negócio. Como assim, Tássia?

Em primeiro lugar é importante termos consciência de que a comparação é inevitável. Todo mundo se compara. Até você aí que jura de pés juntos que “não, bem capaz”. Um estudo dos psicólogos Adam Galinsky e Maurice Schweitzer, da Universidade Columbia (EUA), analisou o comportamento de um funcionário que após 30 anos de trabalho para conquistar a posição e o salário que queria se demitiu ao ver um recém-formado chegar aonde ele chegou em questão de meses. Shit! É para qualquer um ficar P da vida mesmo. Mas ele não ficou apenas aborrecido e quieto. Ele chutou o pau da barraca. Conclusão: a comparação pode tanto nos aborrecer quanto nos motivar. O aborrecimento pode levar à motivação. Tá, vamos por partes para esclarecer essa teoria.

Se você está se comparando a alguém e está se sentindo desvalorizado e, consequentemente, desmotivado, isso pode te dar fôlego para sair da zona de conforto e te motivar a uma nova empreitada. Ou seja, a desmotivação pode, sim, gerar motivação. Ela pode te levar à depressão ou à tomada de decisão. Essa última opção foi a escolhida pelo nosso exemplo da pesquisa. Do limão, ele fez uma limonada. Ele ficou tão desmotivado, que não se conformou de aceitar aquela humilhação e ficar na empresa. Sentiu-se desrespeitado, pediu demissão e foi em busca de um novo desafio (ou se atirou da ponte, torçamos pela primeira opção). O que eu estou querendo dizer (com base em pesquisas dessa vez) é que é do ser humano se comparar para criar seus próprios referenciais do que é bom ou ruim para ele no trabalho. Ele quer saber se seu salário está compatível com o do mercado ou dos colegas, se ele trabalha mais que os outros e ganha menos que eles, se é mais criticado do que reconhecido e por aí vai. E isso é um termômetro para guiar sua vida profissional e pessoal (porque é difícil dissociar uma da outra – estão aí os casos de depressão por conta do trabalho para provar isso).

Sendo assim, saiba usar a comparação a seu favor. Assim como você compara preços antes de comprar uma roupa, você vai se comparar para entender porque alguém supostamente vale mais que você. É realmente a qualidade do produto ou é o mesmo jeans, mas com uma etiqueta de grife te enganando? Esses dias uma amiga me contou que sua chefe disse que ela deveria fazer valer o salário dela. Surpresa ficou a chefe quando ela respondeu honestamente: “É, realmente, não estou valendo meu salário (afinal, ele valia bem mais)”.