Caroline escreve mensalmente, sempre nas terças-feiras.
Hierarquia x Empoderamento

A chave para sobreviver diante das mudanças constantes é uma cultura voltada ao empoderamento.

Há algum tempo, pensamentos vem me perturbando no que diz respeito ao âmbito profissional. Percebo uma necessidade de mudança na forma de oferecer produtos e serviços. Vejo que a tecnologia disponível hoje em dia é acessível a todos os concorrentes, e é a mesma em vários países. Em um cenário de mudanças constantes, a criatividade e a flexibilidade viraram ativos importantes e um dos diferenciais das empresas. Contudo, em meio a isso, eu me questiono: este é realmente um fator competitivo? Acredito que o diferencial está nas pessoas, mas igualmente acredito que esse diferencial não pode ser medido pela criatividade e flexibilidade dos profissionais, muito menos pela tecnologia.

Estamos acostumados, no nosso dia a dia, a conviver com estruturas hierarquizadas, nas quais dependemos do comando e de controle externo nos dizendo como, quando e o que fazer em uma atividade. Essa realidade, essa forma de gestão, acompanha cada um de nós desde a escola. Estamos moldados a trabalhar em uma caixa, sem autonomia. Dessa forma, as pessoas que conduzem nossos negócios, que são o nosso principal ativo, estão constantemente condicionadas a executar, a seguir um comando, a serem demandadas e a delegar sua capacidade de pensar, criar e se adaptar ao pensamento do líder.

Nesse cenário, só vejo uma saída: empoderar as pessoas, ou seja, dar condições para que a equipe assuma responsabilidades e tome frente às situações. É preciso criar equipes altamente motivadas, comprometidas com um serviço de nível superior, usando seus conhecimentos e experiência para criar resultados positivos e de alto nível. Ao nos liberarmos de estruturas hierárquicas, o foco passa a ser outro, e as equipes passam a ver as coisas da forma do que precisa ser feito para melhorar os resultados, e não o que outro espera que eu faça.

Mas não estou falando aqui de qualquer resultado, e sim daquele que é impossível de ser concretizado em estruturas rígidas onde a autoridade, como se refere Ken Blanchard, está concentrada no topo da hierarquia, e aos gestores é atribuído todo o crédito pelo sucesso. As organizações podem e devem ser ressignificadas de modo que a contribuição individual e a iniciativa tenham espaço para além da simples identificação de problemas, migrando para a solução e inovação dos mesmos. Precisamos liberar o poder que existe nas pessoas, através do tripé conhecimento, experiência e motivação, direcionando-o à concretização de resultados positivos para as empresas.

Liberar a necessidade de controle e o sentimento de ameaça é a chave para que, através da autonomia da equipe e das pessoas, possamos vivenciar novas oportunidades, conquistar novos espaços e assumir novos papéis. Ao substituir a cultura da hierarquia pela cultura do empoderamento, aumenta-se a responsabilidade das pessoas e, consecutivamente, dos membros da equipe, proporcionando a todos uma grande sensação de realização.

A construção de uma cultura de empoderamento começa por mudar a forma como exercemos a liderança. É a nossa influência como líderes que leva as pessoas a trabalharem com mais entusiasmo, despertando a sua responsabilidade e comprometimento para alcançar os objetivos e propósitos. Esta mudança é, sem dúvida, primordial às empresas que desejam ter sucesso, crescimento contínuo e destaque frente à concorrência neste cenário da nova economia baseada no conhecimento.