Cris escreve todas as sextas-feiras.
Individualidade x Respeito x Shortinho

Não me contive! Terei que falar na polêmica do shortinho, porém, para não fugir do tema maternidade, ao qual me propus escrever durante este período, darei algumas pinceladas em assuntos que considero importantes, como o respeito a individualidade. Outros, deixarei para depois, pois exigem longos parágrafos, devido a complexidade. O fato é que hoje, o shortinho entrará na pauta.

Convenhamos, a maternidade é um milagre. Como disse uma amiga, esse p* desse hormônio chamado ocitocina é o que há. Não é atoa que o chamam de "hormônio da felicidade". Mas por que em muitas mulheres não identificamos o estado de graça que ele propõe? A resposta é bem simples. Cada ser humano é único, cada mãe é única. Somos seres individuais. temos nossas peculiaridades, viemos de culturas diferentes e criação diferente.

Deu pra entender ou quer que eu desenhe?

Cada um funciona de um jeito. Podemos observar jeitos parecidos e outros completamente antagônicos. Porém, isso não diminui o milagre. Afinal, o milagre é a vida. Agora o que cada um faz com ela, fica a cargo de cada um e pronto.

O bonito é que durante este momento supremo do início de tudo, já é possível perceber traços da personalidade do bebezinho que chegou. Nesse caso, não tem a ver com o meio, que claro, influencia e muito, mas sim com a essência única daquela pessoinha.

Da mesma forma, a transformação se faz com os pais. Mas veja bem, aqui, não é a essência que muda e sim a descoberta de um novo mundo, de novas forças e de um amor que não cabe no peito. Só vivendo? Sim, só vivendo para entender. Essa frase não é clichê, é a mais pura realidade.

Numa família onde nasce uma criança, nasce ao mesmo tempo um pai e uma mãe e a cada novo filho, dentro de um mesmo núcleo, novos pais e novas mães vão renascendo, cada qual de acordo com a necessidade de cada filho. É um processo único e natural e que deve ser respeitado e aproveitado ao máximo.

Então, não liga para os fracassos diários, pois não existe receita. Um filho é diferente do outro. O que foi perfeito com o ciclano, pode não fazer diferença alguma com o fulano. É o tal lance da individualidade, sacou? Portanto e de uma vez por todas, não coloque todo mundo no mesmo balaio. Isso vale para tudo na vida.

E por falar em individualidade e entrando no outro assunto. Eu pergunto: o que é essa ação coletiva das alunas do colégio Anchieta, em torno do bendito shortinho? Sim, porque maldito são os olhares de lobo dos meninos.

Confesso, que achei bacana a atitude. Onde muitos viram pontos negativos, vi um bando de meninas em busca de liberdade, lutando por algo que as incomoda. Qual o problema se não tem a ver com política, segurança ou corrupção. Simplesmente tem a ver com a realidade delas.

Fiquei sabendo que a coisa acontecia assim, quando uma delas chegava de shortinho, a professora chamava na frente da sala, mostrava aos demais o comprimento adequado e mandava a menina embora. Não achei uma atitude legal, mesmo obedecendo as normas daquela escola, ainda mais com o boom da geração “bullyng”. A coisa poderia ser feita de outra forma.

Por outro lado, elas ou melhor, os pais delas, aceitaram os termos da escola ao matriculá-las. O que não significa que não possam ser revistos, pois o mundo muda e muitas coisas já ficaram pra trás.

Mas aqui, não irei defender as meninas ou quem é contra elas, A única bandeira que estiarei é a do respeito. Sim, cara-pálida, R-E-S-P-E-I-T-O. Muitos de vocês devem conhecer o significado desta palavra, outros nem passam perto. O mais chocante, como em tantos outros casos expostos nas redes sociais, são os julgadores de plantão. Aqueles que adoram dar a sua opinião de uma forma violenta, com xingamentos e palavras feias. Para esses eu digo, perderam a razão, perderam a chance de serem escutados. Se não curtiu, se não concorda, diga, mas com educação. Ah, quase que eu esqueço, educação é artigo de luxo, assim como a gentileza.

Okey, okey, vão dizer! Com tanta coisa acontecendo no mundo, o tamanho do shortinho é problema? Olha, para nós pode não ser, mas para elas é e acho justo que busquem respostas e tentem mudar as regras do jogo. Por que não? É só o primeiro passo e quem sabe no futuro, lutem por ideias mais nobres.

Agora, o que precisa mudar de fato é essa nossa cultura que insiste em culpar a vítima. Principalmente em casos de abuso e violência sexual. Nosso maior problema é cultural, avalizamos a cultura da malandragem. Se alguém faz algo para se dar bem, a sociedade faz ouvidos de mercador.

E nessa mesma onda, o David Coimbra colocou no seu perfil do facebook um comentário acerca de um trecho do manifesto das meninas:


"...ENSINE ESTUDANTES E PROFESSORES HOMENS A NÃO SEXUALIZAR PARTES NORMAIS DO CORPO FEMININO. NÓS SOMOS ADOLESCENTES DE 13-17 ANOS DE IDADE. SE VOCÊ ESTÁ SEXUALIZANDO O NOSSO CORPO, VOCÊ É O PROBLEMA.”


Segundo ele, felizmente, seu filho tem apenas oito anos de idade, o que significa que terá tempo para ensiná-lo a não sexualizar corpos de meninas de 17 anos.… Assim, nesse período de que dispõe, vai se esforçar para convencê-lo a não sexualizar coxas jovens expostas por shortinhos mínimos, e sim pensar em coisas excitantes e sem pernas como alfaces, brócolis e hortifrútis que não sejam muito suscetíveis.

É David, apesar da piada, entendo que bate forte o lance cultural e também hormonal. Mas apreciar não significa abusar. De alguma forma, são nas pequenas coisas que começamos a fazer a diferença. E tem mais, se de fato, queremos que nossos filhos sejam crianças, sim, porque 13, 14 anos ainda são crianças - por mais que muitas vezes não se comportem como - por que temos que taxar certas roupas ou atitudes? Acredito que aqui fica um ponto a ser pensado. Fica a reflexão!

E só para esclarecer, eu, Cris Lavratti, sou totalmente a favor do uso do uniforme.