Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
O ladrão de ideias

Ideia é algo tão, mas tão valioso, que a gente nem deveria sair dando por aí, assim de graça. Aliás, não deveríamos dar e nem contar à toa. Isso porque, em quem você menos espera, se esconde um ladrão de ideias. Aquele ser mal-intencionado que é incapaz de ter uma boa ideia e, por isso, rouba a dos outros. Geralmente são pessoas sem criatividade e, pior, sem caráter, pois não reconhecem a autoria e recebem os méritos todos para elas. Esses seres andam disfarçados de gente comum e confiável, mas, cuidado, as aparências enganam.

Esses seres mesquinhos são conhecidos por suas grandes orelhas, responsáveis por ouvir tudo que falam ao redor e até a uma certa distância; seus olhos esbugalhados, que nem piscam para não perder nada que se passa; e seu nariz grande, pois têm o faro apurado para saber o que vale ser surrupiado e o que não vale. São seres altos, bem altos, porque eles gostam de estar sempre acima dos outros e fazer com que os demais se sintam pequenos perto deles. Sua cabeça é bem picorrucha em comparação ao corpo, afinal, não há nada dentro dela. E as ideias que eles roubam são guardadas todas na barriga, pois é disso que se alimentam. Portanto, são seres gordos também.

Certamente você imaginou uma criatura, no mínimo, esquisita. Pois é, eu imagino os ladrões de ideias assim, bem feios, afinal, é feio roubar, seja o que for. Afora minha fantasia infantil, é lamentável saber que esses larápios da imaginação alheia podem ser bem parecidos conosco fisicamente. Podem ser nossos amigos, parentes, colegas e até nossos chefes.

Sabemos que nas empresas o profissional criativo, aquele legítimo banco de ideias, é supervalorizado nos dias de hoje. E é ótimo quando isso acontece, desde que esse profissional não acabe sendo a sombra de um gestor que apresente suas ideias o tempo todo como sendo dele, na maior cara de pau. Além de imoral, é bem desmotivante para o funcionário, que nunca se sente reconhecido.

Esses dias, fiquei sabendo de uma história de um ex-emprego meu, onde um colega saiu por aí dizendo que um trabalho (muito bom, modéstia à parte) foi realizado por ele. Oi? Não me lembro de nenhum dedinho dele em nada, exceto na hora de olhar a apresentação final. Captação, planejamento, roteiro e conteúdo foram todos feitos por mim, e ele teve a cara deslavada de dizer que foi ele. Mas ok, águas passadas. Cada um sabe o que tem para oferecer. Tem gente que, infelizmente, não tem nada seu. Em outra situação, tive uma ideia bem bacana, bonita e valiosa para um cliente. O mesmo adorou e comprou na hora. Nesse caso, nenhum parabéns da chefia, afinal, a ideia não veio de cima, então não podia ser tão boa assim. 

Em muitos casos você não terá provas para desmascarar esse ser despudorado, ou nem vai valer a pena. Então, pense por outro lado. Ponto 1: se sua ideia foi roubada por um chefe, considere um elogio, pois é sinal de que realmente era boa. No fundo, ele sabe que a ideia não é dele. “Durma com esse barulho, querido”. Ponto 2: se foi roubada por um colega, tenha certeza daquilo que você sempre desconfiou, ou seja, de que ele é um banana puxa-saco e de que de onde veio sua ideia virão outras várias, já ele, terá que beber de outra fonte que não a mente vazia dele. Ponto 3: se foi por um amigo ou parente, consolemo-nos com as expressões “parente é serpente” e “amigo da onça”. Resumo da ópera: nem todos têm a maturidade de reconhecer a ideia boa vinda do outro e, por isso, agem de forma desonesta. A dica que lhe dou é: se você já passou por isso e não foi reconhecido, guarde suas ideias e invista em algo seu. Só tem uma pessoa que sai perdendo, e certamente ela não é você.