Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Líderes de tirar o chapéu

Há poucos dias ouvi duas histórias de liderança muito bonitas, daquelas que mantêm viva a esperança no ser humano. Uma delas é do dono de uma grande empresa, já idoso, que costuma dedicar algumas horas do seu trabalho para fazer contas. Mas não um tipo de conta qualquer. É uma conta bem mais grandiosa (a meu ver) do que verificar o fluxo de caixa da empresa. Esse senhor pensa em cada funcionário seu e no seu contexto de vida, e assim faz as contas analisando o que cada um deles tem como necessidade básica e, portanto, o quão importante é o emprego para eles.

Pensa que fulano tem uma filha recém-nascida, que ciclano acabou de financiar um apartamento e que beltrano ajuda a mãe doente. Dispensar um funcionário é muito difícil para ele, que se sente responsável por esses trabalhadores. Sendo assim, ele faz de tudo para mantê-los na empresa, mesmo diante da necessidade de corte de custos. É também por causa dessas pessoas – e utilizando-se delas como exemplo - que ele motiva os que estão “molengas” no serviço. Ele vai lá e diz: - Você sabia que tudo que você produz no seu trabalho me ajuda a pagar o seu salário e do seu colega que precisa de medicamentos? E que quando você deixa de produzir sua capacidade alguma família pode ficar sem o dinheiro que é essencial para seu sustento?

A outra história que ouvi foi de um homem que ao ser indagado sobre o porquê de não parar de trabalhar e se aposentar, já que havia dinheiro para isso, respondeu: “Mas e as 300 famílias que sustento, quem cuidará delas?”.

Assim como esses líderes acima dos quais preservo a identidade, há um líder famoso que é outro ótimo exemplo: Silvio Santos. O jornalista Carlos Nascimento, em uma premiação do Troféu Imprensa, declarou: “O meu contrato com o SBT venceu durante a minha doença. Só que dois meses antes, apareceu uma pessoa na minha casa com um contrato novo dizendo: ‘O Silvio mandou você assinar. Você não se preocupe, fique em casa e vai se tratar. O dia em que você puder voltar a trabalhar, você volta”. E a resposta de Silvio à declaração foi: “Eu acho que a empresa tem a obrigação de fazer com que os funcionários sejam muito bem tratados estando ou não com saúde. É um dever da empresa!”.

Além dessa história, têm outras. Por causa da crise que atinge o país, em 2015 a festa de fim de ano dos funcionários da emissora havia sido cortada.
Silvio Santos soube da história e ficou indignado, exigindo que a empresa fizesse a comemoração, pois não iria admitir esse tipo de economia. O cinegrafista Cleber Kanai, dispensado pela área técnica do SBT, teve que ser readmitido quando Silvio descobriu do seu desligamento. Muito antes, Silvio Santos teve a mesma atitude quando soube que Palito, cuidador de seu carro, havia sido dispensado. A fama do dono do baú entre seus funcionários é tão boa que ele até é conhecido como o melhor patrão do mundo.

Assim como Carlos Nascimento, Marília Gabriela, Celso Portioli, Roque, Carlos Alberto de Nóbrega e outros famosos são só elogios ao “patrão” publicamente. Pena os exemplos como esses ainda serem poucos, né?