Caroline escreve mensalmente, sempre nas terças-feiras.
O que Madre Teresa e Bill Gates têm em comum?

Em meu último artigo, falei sobre a importância de se fazer uma mudança na cultura das empresas, passando da hierarquia para o empoderamento. Ao finalizá-lo, uma reflexão ficou martelando em minha cabeça: se a chave para enfrentar as constantes mudanças é a implantação de uma cultura de empoderamento, qual seria a base para fazer essa transformação na cultura empresarial, ainda presa a estilos de liderança baseados no comando e no controle?

Atualmente, no novo ambiente de trabalho, um gestor supervisiona de 25 a 75 colaboradores diretos. Além disso, as organizações são cada vez mais virtuais, com liderados trabalhando em diversos lugares diferentes ao mesmo tempo, e nem todos ficam em um único espaço físico aos olhos e cuidados do gestor. Esse novo cenário não comporta mais o papel do gestor que precisa determinar às pessoas tudo o que precisa ser realizado e como e quando deve ser feito. Simplesmente, não existe mais tempo para isso. Em algum momento, esse antigo estilo de liderança precisará ser abandonado, e o melhor é que seja de forma gradual, ao invés de ocorrer quando não se tem mais escolha. Nesse cenário, cresce a necessidade do empoderamento, mas, para que essa cultura seja possível, é preciso dar um passo atrás.

E que passo seria esse? Desenvolver a autoliderança. Sendo o primeiro passo para a conquista de resultados e alto desempenho nas organizações.

Em linhas gerais, o papel do líder nessa mudança cultural é prover condições para que as pessoas da equipe entendam as suas atividades e atribuições. O objetivo, com isso, é que elas possam partir para ação, fazendo acontecer e completando o ciclo. O liderado precisa desenvolver a capacidade de fazer a sua parte, deixando de ser um mero receptor passivo das ordens dos outros, colocando-se numa posição de assumir a iniciativa, liderando a si mesmo. É um processo dolorido, que exige prática, responsabilidade e disciplina. Como líderes, devemos formar parcerias para o desempenho, fazendo com que as pessoas sejam capazes de resolver problemas e tomar decisões, apoiando o desenvolvimento e a aprendizagem individual.

Porém, é muito importante não confundir essa mudança de postura com “soltar as rédeas”. O que está em jogo aqui é o desenvolvimento, é uma mudança de postura. É preparar o terreno para fazer o mundo acontecer. É disso que se trata a autoliderança. Os autolíderes têm muito menos possibilidades de fracasso, mas, para isso, as organizações precisam investir no aprimoramento do ser humano, cuidando para desenvolver pessoas responsáveis e criativas. Isso porque, a partir da autoliderança, vem o entendimento da não necessidade de estar em posição de poder ou de autoridade direta para sermos líderes e influenciarmos pessoas e resultados. A base do crescimento pessoal é a conquista da autoliderança, que nasce ao olhar primeiro para dentro, tendo energia e coragem para descobrir, confrontar e erradicar o negativo e as debilidades, governando a si mesmo com autoconfiança, autorespeito, autoestima e, principalmente, autonomia. Essas são competências básicas para se ter sucesso sozinho ou em equipe.

Mas, afinal, o que Madre Teresa e Bill Gates têm em comum? Sem dúvida, a autoliderança. Foi através desse desenvolvimento pessoal, do entendimento de que só dependia deles a conquista de novos horizontes que levassem à construção de seus propósitos, que encontraram o caminho para irem além das suas crenças, da ausência de posição e autoridade no início de suas vidas, para alcançar os seus objetivos. Dessa forma, a base, o alicerce dessa construção de um novo paradigma na gestão empresarial, da mudança da hierarquia para o empoderamento, passa necessariamente pela mudança na postura das equipes. Passa pela mudança de um comportamento passivo reativo para um comportamento de autolíderes.