Cris escreve todas as sextas-feiras.
Mãe à bordo

No último trimestre da gravidez, começaram as indagações de amigas e pessoas próximas: “A tua mãe vem pra Caxias te ajudar nos primeiros dias, né?”. A pergunta era uma constante e vinha de todos os lados. Como levei minha gestação no tempo dela, não me detive nesses detalhes antecipadamente, aliás, eu e meu marido nem tínhamos conversado a respeito. A meu ver, todos iriam visitar o Martim e ponto. Em nenhum momento me vi em apuros.

Até que minha mãe veio falar comigo a respeito. Ela também estava ouvindo das amigas que ela tinha que estar por perto caso eu precisasse. Moramos em cidades diferentes. Ela em Porto Alegre e eu em Caxias do Sul. Perto, mas longe. Não tinha como ir diariamente, ela teria que ficar em nossa casa.

Quando conversamos, disse pra ela que poderia vir sem problemas, seria ótima tê-la por perto. Não poderia tirar esse momento dela, nem dela, nem dele e na verdade, nem de mim. É a legítima situação onde o encontro de gerações se completa, em que os ciclos terminam e iniciam. Um momento em que os elos se firmam.

Mas claro, de um lado a mágica da situação e do outro, o dia a dia, os palpites. Durante toda a gravidez, procurei não dar ouvidos aos palpiteiros de plantão, nem ao google. Deixei a coisa toda fluir na simplicidade dos dias. Nunca fui na médica com uma lista de perguntas, na verdade, tirando o primeiro mês onde meu objetivo era encontrar um médico adepto ao parto normal. Só fui começar a ter perguntas lá pelo oitavo mês, para saber como eram as contrações, quais exercícios eu deveria fazer para ajudar no parto e o que levar para o hospital.

Claro, conversava com algumas pessoas sobre o dia-a-dia de um recém-nascido. Porém, nesse caso, eu estava interessada e fazia as perguntas. Juntei as informações que considerei relevantes e venho aplicando. Algumas deram muito certo, como por exemplo, dar banho antes do bebe dormir, para espaçar um pouco mais a última mamada antes do sono. Agora, no início, acabo dando banho no nosso pequeno por volta das vinte e duas horas. Ele fica relaxado, mama e depois dorme bem tranquilo.

Mas voltando ao que interessa, ainda faltava um tempinho para o Martim nascer, conversei com uma amiga que teve filho um pouco antes de mim e ela me contou que a experiência com a mãe dela tinha sido ruim. Que a mãe se metia em tudo e ficava controlando a situação. Nesse momento me preocupei. Pois queria que as coisas fossem leves, que o ambiente fosse tranquilo e que principalmente, eu estivesse tranquila.

Respirei fundo e deixei assim. Afinal, essa era a experiência da minha amiga e não minha.

No dia do parto, minha mãe e meu irmão conseguiram chegar em Caxias a tempo e a coisa toda já começou bem, pois temos uma cachorrinha, a Layla e eles puderam cuidar dela, levar para passear, alimentar e tal. Menos uma preocupação pra mamãe aqui.

No dia seguinte ao parto, ela ficou comigo no hospital para o meu marido poder descansar. Mais um ponto. Quando chegamos em casa, ela filmou nossa entrada, um video que ficará para a posteridade! E dali em diante, pelos cinco dias que ficou comigo, ela foi incrível. Deixou que eu conduzisse o dia a dia do Martim. Não se atravessou em nenhum momento dizendo o que eu deveria fazer. Eu dei o primeiro banho, troquei as fraldas e ela lá, observando de longe e dando o melhor apoio de todos: eu sabia que ela estava ali e caso precisasse teria para quem correr. Me ajudou com a casa, com as roupas e a deixar tudo em ordem. Fez comidinha e foi nota mil. Surpreendendo até a mim.

Nos primeiros dias, eu e meu marido pudemos ser o que somos com nosso filhote, sem remendos, nem atucanações.

Este é um momento único. É uma adaptação para as três partes envolvidas. Os pais e o bebê. É ali que começa a se estabelecer essa conexão que vai durar uma vida inteira. Precisamos seguir nossos instintos, o lado mais animal, bem como nossa intuição. Precisamos estar atentos a todos esses detalhes para de fato conhecermos esse serzinho que entrou em nossas vidas. E para que isso aconteça é preciso paz e sossego.

Minha experiência foi ótima, graças ao bom senso e amor de minha mãe. Só tenho a agradecer. E quem sabe, com essa historia, ajudar a outras mulheres, mães e avós, a entenderem a complexidade e a simplicidade desse momento único e essencial. Fica a dica!