Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
O manual do puxa-saco

Se você acha que apenas ser competente irá te fazer crescer na vida, estou aqui para ter dar a real, parceira. Lamento informá-la que há grandes chances de você estar enganada. Para ser alguém (a propósito, acho horrível essa expressão), infelizmente, em muitos casos, você precisa puxar o saco de outro alguém. Por isso, vou te dar algumas dicas que são fruto da minha observação nas empresas em que trabalhei. Como você pode ver, não aprendi nada, afinal, não cheguei aonde essas pessoas chegaram. Mas vamos lá, lembrando mais uma vez: “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”.

1. Concorde. Use a palavra “concordo” ou faça sinal de aprovação com a cabeça para tudo que seu chefe estiver falando. Um verdadeiro puxa-saco não tem opinião própria, e se tem é a mesma que a do chefe. Que coincidência!

2. Atenção, não bajule apenas o chefe, mas os coleguinhas também. Isso irá te ajudar a não se taxada como a queridinha do chefe. Por isso, seja a colega mais solidária, estando sempre disposta a ajudar, sorria para tudo e todos, mostre o quanto você é feliz fazendo o que faz e dê agradinhos em datas especiais. A consequência, porém, é que você passa tanto tempo preocupada com o trabalho dos outros que nunca tem tempo para fazer o seu, não que você se importe com isso.

3. Nunca chegue ao local de trabalho depois do seu chefe e, jamais, em qualquer circunstância, saia de lá antes dele. Mostre que você é quem mais se dedica e se entrega à empresa. Você tem a chave do escritório? Perfeito!

4. Seja submisso, pratique a subserviência. Pense que nem o Crô (lembra do filme?), seja alguém cuja missão na vida é servir. Faça tudo que seu mestre pedir. Tudo. Isso inclui organizar a confraternização de fim de ano, fazer favores pessoais (por gentileza) e representar a empresa naquela reunião chata que seu chefe não quis ir. E sem reclamar e nem fazer cara feia. Bota um sorriso no rosto, olha que honra! Missão dada é missão cumprida. Os invejosos dirão que você é um puxa-saco, mas você só está pensando no seu futuro. Isso se chama plano de carreira. A verdade é que você é apenas a funcionária esforçada que cumpre com suas obrigações com prazer.

5. O puxa-saquismo muitas vezes é usado para disfarçar a incompetência. Os puxa-sacos, no seu íntimo, devem saber que não são muito capacitados tecnicamente, pois só lhes resta fingir que estão trabalhando, seja inventando novas tarefas ou dando ideias mirabolantes para ferrar com a vida dos colegas que estão, de fato, trabalhando. Portanto, se você não é boa o suficiente no que faz, sugiro que seja um puxa-saco. 

6. Quando o chefe não pedir nada para você, se ofereça para fazer. Pró-atividade é umas das palavras da vez. Pratique!

7. Quando quiser ser eficaz na arte do puxa-saquismo, use a frase: “sem querer ser puxa-saco”. Depois disso, elogie, enalteça seu trabalho, sua ideia, seu discurso. A vaidade do chefe é a maior aliada do puxa-saco. Norman Vincent resume tudo numa frase: “O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica”.

8. Peça a opinião do seu chefe mesmo quando não precisa. Isso porque você quer bajulá-lo e mostrá-lo o quanto ele é bem melhor do que você e, portanto, precisa ser consultado a cada passo para dar sua consideração final. Ao mostrar o trabalho, use frases como: “Nossa, eu não tinha visto por esse ângulo. Obrigada”.

9. Mesmo que você entenda mais de um determinado assunto que seu chefe ou que você tenha dado uma ideia, sempre dê um jeito de passar os méritos para ele, nem que seja por ter contratado você. Diga algo como “Você sabia que eu não ira decepcioná-lo, ãhn? Sabe muito, chefe!”, seguida de uma risada e uma piscadela.

10. Dica final e principal: se você não é um puxa-saco, não ouse falar mal de um, pois você pode passar por invejosa. Mantenha a boca fechada e os olhos bem abertos.