Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Vai com medo mesmo


Assistindo a um talk show nesta semana, uma pessoa da plateia questionou as convidadas do bate-papo sobre qual era o maior medo delas. Fiquei surpresa ao saber que duas delas tinham o mesmo medo em comum – que também é um dos meus, porém não o maior. O medo em questão era de viajar de avião. Uma delas era jornalista, que viaja o tempo todo; outra, empresária, mas também da área de comunicação, que viaja duas vezes por semana.

Assim como elas, eu, no meu antigo emprego, viajava algumas vezes no mês a trabalho. E para piorar, eu tinha a “sorte” de viajar sempre quando estava chovendo. Eu ficava um pouco ansiosa um dia antes, mas depois que entrava no avião, o medo logo passava. Daí tinha a volta, e a mesma sensação. O mais engraçado é que tenho medo de avião, mas adoro viajar, seja a trabalho ou a passeio. Tanto gosto de viajar, que as minhas duas viagens mais marcantes eu posso dizer que foram bem distantes. Austrália, onde morei, e Índia, onde passei minhas últimas férias. E ano que vem, se meus planos derem certo, Japão aí vou eu.

Mas por que estou falando desse medo de avião, afinal? Pela seguinte reflexão que isso originou: me parece que tudo que mais temo na vida é o que mais tenho que enfrentar. Algum malandro chega lá no ouvido de Deus e diz: - Mano, ela tem mó medo de avião. Aí Deus faz o quê? Bota ela a viajar uma vez ou mais por mês para outro estado, decide que ela vai encasquetar de querer viajar para um país bem longe, e por aí vai.

Quando eu era criança, morria de vergonha de falar em público. Apresentações de trabalho no colégio me deixavam mega nervosa. Que que o Cara lá de cima fez? Me tornou atriz de teatro e dançarina por sete anos e depois me transformou em jornalista.

Eu sempre amei estudar espanhol, ouvir música latina e até ver novelas mexicanas. Em vez de ir pra Argentina estudar como planejei, o que eu fiz? Intercâmbio para estudar o Inglês que eu achava tão chato.

Morria de medo de água e de parques aquáticos. E então? Desci de um dos maiores toboáguas do mundo e praticamente nadei com os tubarões (sem saber que ali haviam tubarões, é claro).

Aí que a vida foi seguindo assim, me fazendo encarar meus medos sem me dar conta disso. E o que aprendi? Que quando a gente enfrenta nossos medos, descobrimos que o resultado é muito prazeroso e pode dizer de boca cheia que valeu a pena.

Mas se você me perguntar qual é o meu maior medo, eu não penso duas vezes antes de responder: meu maior medo é do futuro. Sério, eu sei que parece doido, mas é. E como faço para lidar com ele? Vivo o meu presente intensamente. Tiro o máximo de proveito dele. E quanto mais medo de futuro e de mudanças eu tenho, mais “novos futuros” eu vou ganhando. Fico impressionada com a quantidade de mudanças que acontecem comigo em tão pouco tempo. Tem medo do futuro, Tássia? Toma futuro aí! Tá acomodada no trabalho, nas relações afetivas e sociais, na vida? Toma tudo isso novinho em folha para ti e vive. Então tá, como diria uma amiga:  moço, pode mandar mais que tá pouco. Porque afinal, hoje é o futuro de ontem. Sendo assim, um salve ao malandro que sopra no ouvido de Deus meus medos. Esse malandro me torna uma pessoa cada vez melhor.