Cris escreve todas as sextas-feiras.
Os meus erros não são teus

Um dos maiores cuidados que temos que ter na vida é o de não viver a vida dos outros e, por outro lado, o de não impor aos outros que vivam a nossa própria vida. Simples ou não, acabamos repetindo as fórmulas numa constante que beira a loucura.

A maioria das coisas que não gostamos em nossos pais, repetimos com nosso marido e nossos filhos, quase que por impulso. Os valores e as atitudes estão tão sincronizadas com as nossas, que fica difícil separar, precisamos ter muito cuidado e discernimento.

Dizem por aí, que "a língua é o chicote da bunda" e não é à toa. Apontamos os defeitos e, num toque de mágica, estamos nós a reforçá-los. Parece piada, mas não é. É a vida, naquilo que ela tem de mais especial e trágico, as relações humanas.

É complexo, sim! Não dá pra negar. Precisamos rever conceitos, nos desprender de verdade, cortar o cordão umbilical e, mesmo assim, não será fácil.

O que é bom deve ser aproveitado. Aqui, refiro-me ao que não satisfaz. Ao que traz angústia, ao que sufoca, mesmo que nos mínimos detalhes. O estilo de vida, as escolhas, o lidar com os outros, a condução das discussões, o tratamento aos mais velhos e as crianças, a alimentação, as palmadas, as crenças, as conversas, o olhar, a explosão. Ser introvertido ou super comunicativo, enfim, uma mistura de tudo aquilo que convivemos desde a barriga e que só a maturidade poderá desarmar.

Pois nesse ínterim, fácil é também levar conosco, as doenças do corpo, aquelas que provém da alma. Se nos espelhamos e acreditamos que é possível, será possível. A mente humana é capaz de coisas incríveis, mesmo as que não fazem bem. Colocamos a culpa na genética, mas podemos sim, deixar de colaborar e colocar um fim nesse ciclo.

Ao nos depararmos com a nossa essência e aceitarmos quem realmente somos, conseguiremos romper essa linha que acompanha as muitas gerações da nossa família. Para esclarecer, não significa romper com a família e sim, ajudar na construção de uma continuidade muito mais feliz, com mais acertos, com nova energia.

Saber de onde viemos e conviver numa boa com a transformação é fundamental. Da mesma forma, temos que ter o entendimento de que também teremos defeitos, outros, e devemos aceitar a continuidade desta mudança, sem impor nossas condições e modus operandi aos descendentes. Eles também vão cortar o cordão umbilical e dar continuidade aos avanços proeminentes da humanidade. Estamos aqui, afinal, para evoluir. Este é o nosso caminho. Por que será que lutamos tanto contra ele? Vamos abraçá-lo, amá-lo e deixá-lo seguir seu curso. É tudo uma questão de escolha. Qual será a tua?