Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Quem mexeu no meu texto?

Quem trabalha com comunicação, em especial em agências, certamente tem bastante familiaridade com a palavra “alteração”. Velha conhecida dos criativos, designers e publicitários, a palavra não deixa de assombrar os jornalistas também. No nosso caso (“nosso”, pois sou jornalista) ela é mais conhecida como “edição”.

Em miúdos: escrevemos a matéria, passamos para a nossa editora, depois para o cliente – o que inclui o assistente do cliente e o chefe do cliente -, e depois para a fonte (isso falando especificamente de processo de agência), e todos eles alteram algo, pouco ou muito. Olha só quantas pessoas já mexeram no meu texto? Hmm, deixa eu contar: cinco! São cinco pessoas que têm o poder de transformar o “meu texto” em o “nosso texto”. Felizmente, muitas vezes essas edições são para melhor. Mas nem sempre.

Essas várias edições têm o lado ruim, que pode ser: descaracterizar a autoria do texto e o estilo jornalístico do repórter, tirar seu sentido, mudar totalmente a mensagem, aumentar a matéria demais, reduzi-la demais, mudar a fala de fontes e por aí vai.

Nas edições boas, textos são reduzidos para manter apenas o essencial, a linguagem é adaptada conforme o público-alvo, a abertura se torna mais atrativa, o título fisga o leitor, os parágrafos se completam de forma a não permitir o abandono do texto, os destaques são certeiros.

Independente de termos uma edição boa ou ruim, o que eu sempre digo é o seguinte: é preciso aconselhar o cliente, mas também é preciso ouvi-lo. A arrogância que muitas vezes leva alguns profissionais a enxergar o cliente como aquele que só atrapalha ou que não dá uma dentro (isso que é ele quem paga seu salário), não contribui em nada com a melhoria da qualidade do trabalho final. Há talento aqui, há talento lá. Há falhas aqui e acolá. Sendo assim, que tal se preocupar menos em reclamar das alterações e buscar o melhor para os dois lados?

Pois bem, por essas e outras que fico de cara quando vejo designers ou diretores de arte e de criação reclamando porque o cliente pediu para mudar uma foto, a ilustração, a cor do fundo, e pequenos detalhes que não comprometem o todo. Não são eles capazes de alterar e ainda assim deixarem lindo? Deveriam! Gente, imagina se eu como jornalista ficasse irritada com cada palavra alterada. Ai, sabe? Cansei. Na boa, migs, desapaguem e sejam mais felizes profissionalmente. E se quiserem algo que seja totalmente autoral, escrevam um livro, porque eu já fiz isso. :)