Caroline escreve mensalmente, sempre nas terças-feiras.
O modelo é não ter modelos

Algo tem me incomodado um pouco nesses últimos meses: a necessidade que todos temos de ter um modelo. É modelo de sucesso, realização, felicidade, beleza, corpo, relacionamento, enfim, para tudo o que pensarmos existe uma referência na qual se inspirar. Acho importante existir um balizador do que se quer e do não se quer, e vejo os modelos dessa forma. Porém, não é assim que acontece. Os modelos acabam sendo um guia, uma espécie de passo a passo a ser seguido, e quem ousa não ir pelo mesmo caminho torna-se um verdadeiro extraterrestre.

Todos os meses estou aqui escrevendo sobre vida profissional e a importância de liderar a si mesma para obter mais realização e sucesso. Todavia, ouso mudar o foco nesse texto. Talvez por maio ser diferente – afinal, é o mês das mães e das noivas, e tanto no trabalho quanto nas redes sociais são os assuntos mais comentados –, acredito que é um bom mês para falarmos dos modelos que nos foram introjetados e que perseguimos cegamente como se buscássemos o pote de ouro ao final do arco-íris.

Quem aqui não sofre, já sofreu ou conhece alguém que sofreu a pressão de chegar aos 30 anos e não ter um companheiro, um namorado? Ou que é dominada pelo pensamento de que ficará solteira para sempre, questionando-se ainda sobre qual é o seu problema? Afinal, todos estão com alguém. É ai que mora o perigo. O perigo de, literalmente, atirar-se na primeira relação que aparecer com alguém que, se não fosse a pressão, você nem pensaria em estar junto por mais de meses. Tudo a favor do modelo. Quem disse que você vai ficar sozinha para sempre? Ou que depois dos 30 vai virar abóbora? Por que você não pode continuar aproveitando a sua vida ao invés de ter essa preocupação desnecessária?

E o casal que não quer ter filhos? Esse eu considero um dos modelos mais fortes. As pessoas não conseguem entender e conceber o porquê disso. É como se a única função da mulher fosse procriar. E falo por experiência própria, pois nunca quis ter filhos, e meu marido também concorda com isso. Esse é um modelo que eu não escolhi para minha vida, e está tudo ótimo. Foi uma decisão minha, independente do que a sociedade prega.

Na ânsia de nos enquadrarmos e de conseguirmos o que todos esses modelos prometem, seguimos o tal passo a passo como uma fórmula certa de bons resultados – e, quando não obtemos o prêmio esperado, sentimo-nos frustrados e decepcionados.

O modelo é não ter modelos. Você deve conhecer a si própria e entender o que lhe move, o que lhe faz feliz, para assim criar o seu próprio padrão que a levará à felicidade, à realização e ao sucesso. Que modelo você está perseguindo agora? Liberte-se dessa sombra e seja feliz do seu jeito.