Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Motivada até que o extrato bancário prove o contrário

O que lhe motiva no seu trabalho?

a)      Eu faço o que gosto

b)      Meu superior está sempre me elogiando

c)       O ambiente é agradável e descontraído

d)      Os colegas são bons amigos

e)      Os benefícios que a empresa oferece são ótimos e o salário é justo

f)       Todas as opções acima

A melhor resposta para essa pergunta certamente seria a letra F. Parabéns para você caso essa tenha sido sua opção. Você é uma privilegiada. Caso não, “fale-me mais sobre isso”.

Bom, fazer o que gosta no caso das gerações X e Y é quase uma obrigação, então nem vamos contar como opção. Risca aí! “Quem você pensa que é para trabalhar com algo só por dinheiro?”, alguns sonhadores lhe dirão. Afinal, dinheiro não compra felicidade, não é? Mas compra um apartamento sem que você precise pagar o aluguel ou o financiamento por toda a vida, um carro para não ir a pé até a parada de ônibus na chuva, um plano de saúde para você e sua família ficarem seguros, momentos de lazer como cinema, almoço, jantar, café, viagem e muitas outras coisas que são necessárias para se viver tranquila e de bem com a vida. Ou seja, felicidade e dinheiro estão bem próximos. O que não significa dizer que a felicidade e a riqueza são a mesma coisa. Não, não. Falo de dinheiro para viver e não para ostentar. Tá, desfoquei para desabafar (isso que faço parte da leva de sonhadores que fazem o que gostam ainda - porque na época da faculdade não pensou com a razão, que diria que haveriam contas a pagar que seu coração, que escolheu esse curso, não vai poder bancar).

Never mind, isso nos leva diretamente para a opção E, salário. Para viver bem, você precisa de um bom salário, correto? O que você ganha consegue te sustentar sozinha? Seu salário paga seus gastos com saúde, moradia, alimentação, transporte, educação, lazer (e por que não moda e beleza)? Não? Seu ex-colega de faculdade com experiência semelhante ganha mais que você em outra empresa? Sim? Seu colega ao lado que faz bem menos que você ganha bem mais que você? Sim? Nada mais desmotivador! Hora de rever sua carreira. Ou você não está recebendo o que merece ou não está fazendo por merecer (o que seria muito estúpido da sua parte). Como é seu currículo? Formada, fez cursos, tem experiência? Tudo bem, a gente entende que o mercado não tá fácil para ninguém, mas se você é dona de um bom CV, não pode se conformar com seu contracheque no final do mês, baby. Seu chefe não liga para as contas que você tem que pagar, afinal, ele tem as contas dele também. Ou seja, só depende de você mudar esse cenário ou cair fora dele. 

Falemos das demais opções. Um feedback positivo, quem não gosta? Quanto mais você recebe elogios, mais sabe que está no caminho certo rumo à promoção ou a lugar nenhum caso sua empresa não lhe ofereça possibilidade de crescimento. E aí, cabe a você analisar até onde quer chegar e se o local onde está lhe permite um plano de carreira. Ambiente descontraído? Sempre válido, afinal, é ali no trabalho que você passa a maior parte do seu dia. Nada mais justo que um pouco de conforto, bem estar e descontração com os colegas que viraram amigos. Mas cá entre nós, o ambiente maneiro pode ficar para o seu quarto ou para o pub com os amigos depois do expediente se você ganha bem. Benefícios? Item muito importante. Você tem convênio com algum plano de saúde? Participação nos lucros? Horas extras remuneradas? Folgas? Bonificação? Auxílio educação? E, afinal, quanto você ganha para ser a funcionária exemplar que tem sido? Pausa dramática. #PartiuTerapia

“Tá bom, bonitinha, mas o que você quer dizer com tudo isso?”, você me pergunta. Que não importa o quão bacana são as empresas hoje em dia e o quanto se esforcem para reter seus colaboradores, se elas não os valorizarem de fato. E valor lembra $$$. Se você veio de família rica e não precisa trabalhar por dinheiro, até entendo que se motive pelo simples significado do seu trabalho em sua vida. Mas, se você depende exclusivamente do seu trabalho para sobreviver, você vai hesitar para abrir mão de um salário ótimo num emprego chato (mesmo que não seja o seu sonho) por um trabalho super legal com um salário péssimo (que te impossibilita de realizar outros sonhos). Resumindo, trabalhar no que gosta, com um chefe que te admira, num ambiente descontraído e com seus amigos é tudo que você sempre sonhou nos tempos de faculdade, mas não adianta nada se seu aluguel continua atrasado, se casar e ter filhos não cabe no orçamento e se sua tão sonhada viagem de férias para o exterior está bem mais longe do que as milhas a percorrer. E aí, você que trabalha com o que ama, chega no fim do mês, olha seu extrato - e tudo que não vai poder fazer de novo, e pensa se realmente compensa esse amor à camisa sem ganhar o campeonato há tempos. No fim das contas, você, minha amiga de fé, minha irmã, camarada, só vai se motivar mesmo quando souber que no fim do mês vai conseguir pagar suas contas, ou melhor, dar fim às suas contas porque recebe o que é justo em troca do que faz. Caso contrário, você estará apenas fazendo nada mais que sua obrigação.