Cris escreve todas as sextas-feiras.
Movimento que cura

Ontem, durante o almoço com uma amiga, chegamos a conclusão de que não importa como o nosso dia começa e sim como ele termina. A sucessão de fatos foi essencial. Primeiro a garçonete do restaurantes, que demonstrou um tremendo mau-humor. Para aliviar, pensamos que ela não estava num bom dia. Só que a partir daí, minha amiga relatou um acontecimento sensacional da época da faculdade.

Ela estava no segundo semestre do curso de Jornalismo e foi tentar um estagio na Bienal. Abaixo de chuva, ficou numa fila enorme desde muito cedo. Quando o relógio tocou as oito badaladas, uma moça veio avisar aos navegantes que eles só estavam aceitando currículos a partir do quarto semestre, ou seja, ela estava fora.

Saiu desolada, encharcada e ao adentrar o taxi desabafou: “meu dia já começou mal!”. Mas o taxista não deixou por menos, virou-se para ela e considerou: “que bom, assim tu tem o dia inteiro para mudar isso. Imagina só se o teu dia tivesse acabado mal, restaria pouco tempo para fazer a diferença.”

Ela, boquiaberta, concordou e hoje, muitos anos mais tarde, relembra da cena exatamente como no dia e a repete quando necessário. No caso da garçonete, serviu como uma luva.

O mais bonito disso tudo é como o universo conspira, como recebemos sinais, vindos das mais variadas formas, das mais variadas pessoas e da onde menos se espera. O taxista, um desconhecido, deu o toque de Minerva. Disse algo que ela leva pra vida toda e espalha por aí. Afinal é aquela velha história: gentileza gera gentileza.

O bem tem dessas coisas, é silencioso, certeiro e cheio de verdade. Tanto é que permanece. Mas é preciso saber ouví-lo para não perder-se pelo caminho. Se o dia começa torto, simplesmente devemos aceitar?

Conformismo é zona inútil. Quando estamos neste vácuo, paramos no tempo e o movimento não acontece. Só que é do movimento que precisamos. É ele que faz a vida acontecer, fluir, vibrar. No positivo, é claro! Pois no final das contas, iremos perceber que cada novo dia é um presente de Deus e que só depende de nós, das nossas escolhas, de como bate nosso coração, fazer a diferença.