Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
As mudanças de ciclos

 

A vida é feita de ciclos. E que bom que eles se renovam constantemente. Afinal, são os novos ciclos que nos salvam dos velhos, desmotivantes e problemáticos. Já tive o ciclo de criança que quer ser atriz, de adolescente piriguete e sem noção, de estudante idealista, de apaixonada cega e burra, de “funcionária” pública bem sucedida, de viajante do mundo, de descolada de agência e mal paga, e assim por diante. Todos esses ciclos me tornaram quem sou. Foram as peças do meu quebra-cabeça. Me ensinaram pra caramba. Em muitas vezes quebrei a cara, mas o aprendizado que mais fica é aquele que vem com os erros, certo?

Falando especificamente de ciclos de trabalho, já contabilizo muitos empregos no meu jovem currículo. Do funcionalismo público a redação de jornal. Da agência de propaganda a empresa. Nessa caminhada, tive líderes que levo comigo como exemplos. E tive chefes, que também são exemplos, mas do que não desejo ser. Em cada local, cresci profissionalmente e sempre sai para ir para uma melhor. Pois é, Deus sabe o que faz. Ele sabe a hora de encerrar meus ciclos. Até quando pensaram em me dar uma rasteira, eu já havia pulado.

Engraçado isso de encerrar ciclos. No geral eu saía porque já havia aprendido tudo que precisava como estudante sedenta por conhecimento. E também porque estava na hora de dar passos maiores, mais desafiadores. Após formada, a lógica seguiu a mesma, porém com o acréscimo de que algumas empresas não tinham potencial para valorizar o meu potencial - e eu que não ia ficar de braços cruzados dando mais do que recebendo. E assim fui indo, fechando janelas e abrindo portas. E enquanto permaneci em lugares que não me valorizaram, doei minha energia a projetos externos gratificantes. Se em quatro paredes eu não era reconhecida, ao ar livre eu era. Então voei.

Essas mudanças todas só me fizeram ter certeza de que renovar é preciso. É necessário recomeçar, se desafiar, mudar completamente. É importante se permitir, se arriscar, se dar uma chance. É compensador ser várias pessoas numa só, ter várias vidas em uma só e não se deixar apagar por alguém ou algo que não quer te ver brilhar. É preciso saber a hora de parar, de sair, de desistir. Porque feio não é desistir, e sim insistir no erro.