Cris escreve todas as sextas-feiras.
Muitas em uma só

Nós, mulheres, temos a capacidade absurda de atuarmos em diversas frentes. Muito mais do que as tantas já conhecidas, exercemos funções muito importantes. Temos que ser boas ouvintes, saber escutar é uma benção, e saber a hora de falar então, é melhor ainda. Somos diplomatas por natureza, algumas bem menos do que deveriam, mas nascemos com esse dom, afinal, somos nós que geramos os filhos.

O papel de conciliadora pode dar trabalho, mas a conquista de viver em paz vale à pena. Sem choros nem velas, precisamos interiorizar essa máxima. Ao longo da vida, vamos sendo preparadas para isso. Posso estar sendo machista, apesar de eu acreditar profundamente que não. Seguir a natureza, não é machismo, nem feminismo, é apenas um movimento leve, capaz de nos conduzir ao paraíso. Mas claro, mar calmo não faz bom marinheiro, portanto, a tarefa é árdua, não se engane.

Ao navegarmos por esse oceano que é a vida, estamos sujeitas a todo o tipo de intempérie, maré alta, maré baixa, tsunamis, fundo de coral, de areia, mar calmo, revolto, tubarões, golfinhos e botos. Mais uma vez, a natureza ensina. E o ciclo é um só, sempre daremos a volta. Assim como a terra, o infinito também é arredondado, não tem cantinhos para esconder as poeiras que vamos juntando no caminho.

Isso não significa submissão, só para deixar claro. É imprescindível mostrar respeito, antes a si mesmo, para ficar mais fácil. Depois, é vida que segue. Estamos aqui para exercitar a paciência e a tolerância, só depende da gente.

A capacidade de olhar as situações de outro ângulo, e até de fora do contexto, é majestoso, pois saímos do lugar comum e a diplomacia é que ganha força. Mas para isso, conseguir se colocar fora do problema é necessário exercício, temos que repetir a dose até ela se tornar hábito. Concordo que quando estamos envolvidos é muito mais complicado, pois a força do sentimento que nos arrebata é enorme.

Mas, lembra? Temos o dom. É da nossa natureza conciliar, ampliar a visão, olhar de muitos ângulos. Somos mulheres e somos assim. Precisamos ter cuidado, para que todas as outras funções que acabamos acumulando no caminho, não coloquem um véu sobre a nossa natureza. Somos muitas em uma só. Mas somos mulheres, antes de tudo!