Cris escreve todas as sextas-feiras.
Multiplicando amor

De todos os presentes que a vida me deu, meu filho é sem dúvida o maior deles. Fruto de um amor tão especial que perdeu-se por mais de uma década antes do reencontro definitivo, um amor que veio em meados de 2000, ficou tempo suficiente para ser a melhor lembrança, deixando marcas tão profundas e a chama acesa, que mais tarde voltou a bater na minha porta, trazendo a tona seu verdadeiro significado.

Hoje, de dois, somos três. Nossa matemática multiplicou aquilo que mais importa, aquilo que revigora e dá razão aos nossos dias. Multiplicamos, somamos e estamos vivendo este presente como nunca.

Sim, temos tropeços. Mas quem não os têm? A perfeição está nessa imperfeição louca que nos ronda, nesta busca constante de acertar, de fazer dar certo, mesmo com os atropelos do dia-a-dia e as metamorfoses que sofremos.

Somos o que somos, mas somos muitos. Nossa índole não, ela é única. Mas nossos sentimentos transmutam em todas as vias, públicas e privadas. Somos muitos, somos amigos, amores, colegas, parceiros, marido e mulher. Somos namorados, amantes e cúmplices. Somos pai, mãe e filho. Somos família, que agrega e constrói.

Neste agora vivo muitas certezas, mas no pacote, vem junto muitas dúvidas. A maternidade é um processo de crescimento tão intenso, que milhões de interrogações se fazem em minha mente. Interrogações do hoje e do amanhã, interrogações que contemplam o ontem também. É a experiência aliada a sabedoria que ainda é pouca, misturada com sentimentos integrais, que tomam conta de cada célula do meu corpo, cada partícula.

Interrogações que assolam meus dias e me colocam atônita atrás de respostas que só virão com o tempo, com a tarimba. Interrogações que alguns insistem em chamar de culpa, mas que são só perguntas incompreendidas e ainda sem réplica. Interrogações que colocam os pés no chão e a alma pra viajar em outras histórias além da minha, em outras vidas, outros amores e ensaios e esboços, para que deles, brote o verdadeiro saber, aquele que só vem com o tempo, nosso grande melhor amigo por toda a eternidade.

Então, nessa matemática existencial, não importa se estamos todos juntos o tempo todo ou se nossa vida desvia em idas e vindas, somos abençoados porque estamos em movimento. Um movimento pra frente, que vibra e traz energia, um movimento de paz, que não quer brigas, um movimento de amor, que carrega a doçura como um beijo daqueles com borboletas no estômago.