Aldrey escreve a cada 15 dias, sempre nas quartas-feiras.
Não foi acidente

 

Imagine estar indo para casa e alguém o impedir. Pense em tentar falar e não conseguir. Ver três pessoas estranhas a sua volta e não entender o que aconteceu.

Acredito que essas foram as percepções de uma pessoa normal como qualquer outra, que teve um dia de muito trabalho ou até mesmo um dia leve e que deveria ter projetos futuros ou ao menos uma ideia do que fazer no próximo final de semana, ou até mesmo amanhã. Afinal, não precisamos pensar em tudo, né?

Não precisamos planejar, pensar e se atucanar o tempo todo. Não precisamos ter definido o horário de acordar, o momento de comer e o caminho para ir para casa todos os dias. Podemos alternar e decidir acordar as 07h da matina para correr ou levantar no terceiro “soneca” do celular. Podemos almoçar no momento que der fome, no horário que a nutricionista definiu ou na fugidinha do trabalho.

Podemos ir para casa após o trabalho, ou ao término de um happy hour, e também retornar após dar um passeio não importando o horário.

Decido se ando a pé, de bicicleta, de skate ou de carro. E também posso utilizar todos eles como meio de locomoção independente do meu humor.

Mas e se tudo isso for deletado em um único momento, na qual  uma pessoa que também trabalha, também tem casa e projetos, decidiu beber muito, mais uma vez, e mesmo tendo a carteira de habilitação cassada, saiu a dirigir de forma enlouquecida em alta velocidade e  o atropela na ciclovia e não para,  não freia e não ajuda.

Esse ignorante bêbado, terminou com a vida de uma pessoa, destruiu uma família, e traumatizou mais três indivíduos que estavam no local e que tentaram dentro de suas limitações ajudar e viram em câmera lenta uma vida indo embora.

Agora, imagine mais uma vez  estar indo para casa e alguém o impedir. Pense em tentar falar e não conseguir. Ver três pessoas estranhas a sua volta e não entender o que aconteceu e  depois partir.

Não foi acidente.  Acidente não é assim.