Cris escreve todas as sextas-feiras.
Não dê asas aos melindres

Ah, os melindres. Como esse tipo de sentimento consegue ter a capacidade de implodir amizades, fazendo desabar as pontes que antes eram motivo de convívio? Como pode esse sentimento ter a habilidade de criar muros cada vez mais altos, de distorcer a realidade, trazendo à tona uma ilusão doente?

Coisas dessa vaidade elástica que nos arrebata. Quando estamos quase alcançando um novo degrau, ela, já esticada ao máximo, nos arranca de nossa “quase” conquista e nos conduz, delirante e com força, para uma falsa fortaleza.

Por quê alimentamos esses monstros? No final das contas, somos suicidas da nossa própria felicidade. Preferimos o mergulho com olhos vendados, ao desapego comprometido com o amor e a liberdade de ser quem se é. Somos escravos de nossas imperfeições. Preferimos esconde-las debaixo do tapete persa da sala de estar, a viver a leveza da imortalidade.

Melindres! Tomem seu rumo. Não os quero mais habitando meus dias e nem os daqueles que comigo compartilham a vida. Somos livres para escolher o que de nós desagua. Somos livres para decidir quem somos, sem artimanhas ou lacunas. O vazio pode ser parte de nossos dias, temos esse direito, o de nos entregar a solitude. Mas lacunas não, lacunas se abastecem de maus pensamentos, de fascinantes lampejos de medo e expectativas.

Quando nós sabemos e aceitamos, alcançamos um nível de empoderamento do nosso destino, de consciência do nosso papel, fazendo esvaecer certos acontecimentos que vem de encontro a nossa jornada. E tudo pelo simples fato de que não abastecemos tais lacunas com nossas quimeras, nosso ego inflado ou orgulho ferido. Estamos conectados com outras forças, nossos voos são outros, volitamos na imperfeição do mundo e é a sabedoria que nos dá o norte.

Quando desapegamos de tudo que pesa, os melindres não se criam. Quando desapegamos de nós mesmos, de nossas crenças vorazes, que nos consomem dia após dia, percebemos um mundo novo. O mundo como ele realmente é. Um mundo calcado na liberdade. Acreditar e praticar o bem é o que deixa o saldo positivo, em qualquer tempo.