Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Não faça se não faz sentido

Como o meu trabalho contribui com a sociedade e com o mundo? Eu presto um serviço relevante para as pessoas? Eu faço a minha parte? O meu trabalho tem a ver com os meus valores? Eu acredito no que eu faço? Eu trabalho para sobreviver ou para me autorrealizar?

Se você já se questionou sobre isso em algum momento, provavelmente chegou a uma conclusão que lhe ajudou a dar um rumo à sua carreira e à sua vida. Se ainda não, talvez agora você o faça. E fazer isso pode te ajudar a resolver vários conflitos internos, afinal, é sempre bom lembrar que passamos a maior parte do dia no trabalho e grande parte da nossa vida em atividade no mercado. Isso quer dizer que o trabalho pode estar diretamente relacionado ao sentido que você atribui à sua vida.

Pense comigo: no mínimo, oito horas do seu dia são gastas com seu trabalho (em geral). O tempo que resta você dedica à família, aos amigos, ao namorado, ao seu hobbie, suas atividades físicas, à psicóloga, à faculdade, à beleza, ao supermercado, às tarefas domésticas e etc. Todas essas atividades pós-expediente devem ser geridas no pequeno tempo que resta. Assim sendo, se o período que você dedica ao seu trabalho não for além de prazeroso, algo que você não considere como “tempo perdido”, facilmente você se sentirá explorada, injustiçada, desmotivada, estressada e até deprimida, afinal, está fazendo um trabalho apenas para ganhar o dinheiro para sobreviver e dedicando grande parte da sua vida a esse sacrifício, do qual você só se liberta na sexta-feira no fim de tarde.

Não estou aqui defendendo com unhas e dentes essa geração que só quer fazer o que gosta. Não é esse o ponto. Estou defendendo que cada trabalhador entenda o sentido do seu trabalho, para que veja o valor do que faz e como isso é importante no cumprimento de sua missão de vida. Por exemplo, um veterinário sabe que é determinante na vida de um animal, um advogado sabe o quanto as pessoas precisam dele para ajudar na luta por seus direitos, um piloto de avião sabe do seu poder de encurtar distâncias entre pessoas, um professor sabe seu papel na formação do ser humano, um psicólogo sabe sua importância na vida de seus pacientes e por aí vai. Todos aqui sabem seu papel perante a sociedade. Todos fizeram escolhas profissionais (ou seria razoável se agissem assim) de acordo com seu ideal, seus valores e sua autorrealização.

É por isso que acho importante que você se questione com as perguntas acima. O que você precisa descobrir é se todo seu esforço e sua dedicação compensam, se geram algo significativo ou apenas promovem status e realizações desprovidas de um sentido maior do que apenas inflar o ego. O cenário ideal seria aquele em que o trabalho e o sentido da sua vida estejam casados. Nesse caso, a empresa sai ganhando com seu engajamento, você sai ganhando, pois se sente motivado, satisfeito e realizado e a sociedade ganha ao ter alguém fazendo sua parte e, assim, fazendo a diferença.