Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Essa não é mais uma história de amor

Todos os dias ela dá sinais de que algo precisa mudar. Ela já não chega com aquele sorriso no rosto e a alegria por estar ali. Chega se arrastando. Cabeça baixa, ombros caídos. E aquela energia toda, onde foi parar? Ela nem se arruma direito mais. Repete as mesmas roupas várias vezes na semana, não se maquia, não arruma o cabelo direito e as unhas estão por fazer há dias. Logo ela que era tão vaidosa. Ela não dá mais ideias, e também não faz questão de fazer melhor do que da última vez. Só faz o que tem que ser feito, no modo automático. O entusiasmo sumiu. Todo dia ela faz tudo sempre igual e isso não é bom como na música do Chico.

Do outro lado já não vem mais nenhum elogio, só criticas. Todo dia o clima é tenso, há sempre algo pesado no ar. Toda interrupção é incômoda. Qualquer coisa que não estava planejada a tira do sério. Ela já não entra em conversas, não se distrai, só quer ficar sozinha e cuidar da sua vida e de tudo aquilo que faz e ninguém reconhece. Ela está sob constante pressão. Além do mais, ela está cansada. Física e mentalmente. Já não vê mais sentido em repetir as velhas reclamações de sempre que nunca são consideradas. Não vê mais razão para acreditar nas promessas de um futuro. Não tem mais força nem ânimo para lutar para ser enxergada, ouvida e valorizada.

E assim ela começa a buscar outras razões para seguir. Procura em si mesmo um novo talento ou procura fora alguém que devolva sua autoestima. Ela está ali e não está ao mesmo tempo. Continua fazendo o que pode, aquilo que lhe cabe, mas sem o mesmo tesão de antes. Está dividida, sem saber para que lado ir. Fica, insiste e acredita ou vai embora, desiste e busca um novo caminho?

Não sei dizer como anda a vida amorosa dela, mas espero que vá bem, afinal, é preciso que haja uma compensação, já que a vida profissional anda tão pesarosa. Não, eu não estava falando do relacionamento dela com seu namorado ou marido, mas sim do seu trabalho. Mas entendo sua confusão, trabalho e relacionamento têm muito em comum mesmo. Ambos, se não preservados, sofrem desgaste.

E é nesse desgaste que um namorado, um amigo, um colega ou um chefe podem perder alguém muito valioso. Já versam as canções sobre isso. Do samba ao rock, a letra volta e meia fala algo como “não deu valor, perdeu”. Nesse caso, ela precisa de um novo fôlego profissional. Sua carreira está estagnada. Seu trabalho não faz mais sentido. Portanto, ou a empresa passa a enxergá-la caso domine a gestão de pessoas com inteligência emocional, ou ela precisa tomar uma atitude por ela mesma.

Por mais óbvio que seja, a falta de reconhecimento no trabalho ainda é um dos grandes vilões do mau desempenho dos funcionários. Por maior que seja a boa vontade e dedicação do profissional na sua função, se ele não é reconhecido pelos seus méritos, é inevitável que, cedo ou tarde, a qualidade no trabalho caia. Conclusão: não existe motivação sem valorização.