Tássia escreve a cada 15 dias, sempre nas sextas-feiras.
Não seja medíocre!

Vamos falar de autoestima? Sim, porque autoestima leva a autoconfiança, que é um fator de extrema importância na sua vida profissional. Para ter autoestima e autoconfiança você precisa se garantir, ou seja, se considerar boa no que faz. E para se considerar como tal é essencial que de fato você seja boa. Caso contrário, você será apenas mais uma mala que se acha e mais fala do que faz, e disso o mundo está cheio, portanto, dispensamos.

Pois bem, suponhamos que você é realmente foda na sua área. Isso geralmente causa inveja em pessoas menos evoluídas. Pessoas essas que chamamos de medíocres. Aquelas medianas que definitivamente não são como você. Ou seja, não são ruins e tampouco boas. Talvez você ainda não tenha percebido, mas você está cercada de medíocres. E medíocres também são aqueles que têm medo de quem é melhor que eles e acham que a solução é tirar essas pessoas do caminho de uma vez por todas. Uma pena, pois eles nunca irão se tornar melhores por fazerem isso, por tentarem puxar seu tapete. E eles têm medo justamente porque não se garantem de que também podem chegar até onde você chegou por méritos próprios.

Voltemos à minha infância, quando aprendi como ter autoestima e não ser medíocre. Sempre fui um bichinho da goiaba, uma pré-adolescente feia de doer. E eu sabia disso. Fui tomando jeito no final da adolescência. Antes disso, eu era dona de um cabelo nem crespo nem liso, de dentes tortos consertados pós-aparelho, de pernas de cambito, e de nada na frente nem atrás (sem peito e sem bunda). Uma magrela esquisita, resumindo.

Mas não pensem que isso me abalava. Eu era dona de uma super autoestima sei lá como. Eu sabia que eu tinha lá minhas qualidades. Por ser magrela eu tinha uma barriga bem chapadinha, que eu não cansava de deixar de fora com minhas mini-blusas. Era meu Super Trunfo. Além do mais, sempre fui uma das primeiras da turma, inteligente sem ser nerd. E mais, eu era boa no futebol e era ótima de papo. Ou seja, eu era nerd piriguete esportista, aquela que senta no fundo, não deixa de paquerar os meninos, escolhe o time, mas que está sempre tirando 9 ou 10. E com aquele detalhe: eu era feia.

Aí, para piorar, sempre tive melhores amigas lindas. Tive a amiga peituda e a bunduda. Tive a amiga rainha do colégio. Tive a amiga popular. Tive a amiga mais inteligente. E, em vez de me afastar delas e desejar que o peito caísse, que a bunda ficasse cheia de celulites, que a modelo tropeçasse na passarela, e que a inteligente tirasse uma nota baixa, eu sempre estive ao lado delas torcendo, vibrando e feliz com a beleza e a inteligência delas. Elas eram parte de mim, eram escolhas que eu fiz e, portanto, cada vitória delas era minha também. Inveja nunca foi para mim. E essa é a grande diferença entre ser medíocre e não ser. O medíocre não reconhece as qualidades alheias, mas no fundo ele as inveja. Isso enquanto ele simplesmente deveria querer estar perto daquele que é melhor que ele em determinado quesito para aprender e crescer também sem invejá-lo.

Se tenho uma amiga que dança muito, quem sabe ela não me ensina a dançar como ela, ou ao menos, o mais parecido possível. Se tenho uma amiga que se veste muito bem, por que não pegar umas dicas de moda com ela que se apliquem ao meu perfil? Mas pode ser que eu tenha uma amiga que seja muito boa em outra coisa, e eu simplesmente não queira ser como ela, mas goste de estar com ela porque ela é uma pessoa determinada, focada e que corre atrás do que quer. O medíocre nunca pensará assim, pois a mediocridade consiste na incapacidade de valorizar, apreciar ou admirar a excelência.

Pois bem, e o que tudo isso tem a ver com autoestima e autoconfiança? Tudo. Se você sabe do seu valor, jamais irá desdenhar do valor alheio e, ao contrário, buscará aprender com aquele que você admira para evoluir tal qual ele. Afinal, você admira o outro, enquanto o medíocre inveja. Você não precisa pisar em ninguém para subir. Você estica os braços e aquele que está acima de você e reconhece seu esforço e humildade lhe puxa para andar ao seu lado e te tornar tão grande quanto ele.