Cris escreve todas as sextas-feiras.
Quando nasce um filho, nasce também uma mãe.

O último domingo foi dia de comemorar o Dia das Mães. Mas como este foi o meu primeiro, resolvi escrever a crônica depois. Queria de fato sentir a magia deste dia, desta vez, no meu mais novo papel, como mãe.

Ser mãe mexe com a gente de uma forma!

Recebi o carinho de muitos estranhos em lojas e restaurantes. Todos a me desejar um feliz dia. Uns perguntando se era o primeiro, com olhares carinhosos e atenciosos que chegaram a emocionar a pessoa aqui, que até algumas lágrimas derramou. O carinho nos grupos de whatsapp, dos amigos e da família. Aquela que nascemos e aquela que escolhemos, amigos que são como irmãos.

Confesso que criei expectativas, como não criá-las?

Senti o carinho dos meus vizinhos. Ganhei lembrancinhas pelos lugares onde passei. A semana que antecede o grande dia é toda especial. Realmente nos sentimos únicas. Como se ganhássemos um prêmio por ter tido um filho e por cuidá-lo com todo o amor.

Meu marido me acordou com muitos carinhos, ganhei o melhor cartão do mundo e o presente que eu imaginei. O reconhecimento deles, dos nossos companheiros é uma das partes mais importantes do dia. Pelo menos pra mim foi essencial. Saber o que ele pensa de mim como mãe do filho dele, saber que ele aprova a forma de eu agir com nosso gurizinho, saber que ele me ama mais e mais por tudo ser como é, me realiza como mulher.

Só que o principal deste dia são mesmo os filhos. Meu Martim está com apenas 3 meses e parece que adivinhou que era o Dia da Mamãe. Pela primeira vez ele acordou dando discurso. Sempre acorda rindo, mas falando pelos cotovelos foi a primeira vez. Desse dia em diante, ele conversa um montão com a gente. Está descobrindo o mundo e a própria voz.

Ele de fato é o meu melhor presente, minha melhor história, meu melhor projeto. Ser mãe é muita mais que oferecer os cuidados básicos de que uma criança precisa: alimentar, trocar fralda, fazer dormir, vestir, dar banho. Ser mãe é acarinhar a cria, harmonizar o ambiente, fazer com ela se sinta bem e em paz. Abraçar forte quando der uma cólica, acordar de madrugada pra ver se o filho está com frio ou com calor. Regular a temperatura, o clima da casa, a atitude.

Ser mãe é dar aquele banho lúdico, conversando com o filho, fazendo ele curtir o momento e acima de tudo curtindo junto com ele. É cantar, conversar, fazer palhaçadas para animá-lo. É passar o dia da vacina grudadinha com ele para que se sinta seguro, mesmo com a dor.

Ser mãe é dar de mamar olhando nos olhos, dormir no sofá com o pequeno, esquecer de ir pra cama.

Ser mãe é dar limites desde cedo e saber que dar limites não significa deixar de dar colo. Ser mãe é se reinventar a cada novo dia, com a casa, com os compromissos, com a vida. Deixar de sair porque o tempo está feio e só se for realmente necessário.

Ser mãe é escrever em intervalos, porque o filho acordou ou chamou ou chorou. Ser mãe é perceber desde os primeiros dias as necessidades daquele bebezinho que acaba de chegar, as tendências, a forma como ele lida com tudo e a partir daí escolher a melhor forma de lidar com ele, aparando as arestas e o tornando forte, mas com todo o amor do mundo.

Ser mãe é receber um sorriso que vale por uma vida e eternizar esses momentos no álbum de memórias que mora lá dentro do coraçao. Ser mãe é amar de todas as formas e jeitos, amar incondicionalmente, amar pra valer. Amar trocar a fralda cheia de coco, amar dar banho, amar fazer eles dormirem, amar cuidar quando eles estão com alguma dor, amar ficar sem fazer nada, amar brincar… amar e amar, independente de cansaços, dor nas costas ou qualquer outra coisa que possa estar ocupando nossa cabeça.

Ser mãe é respeitar o fato de que antes de tudo somos mulheres. É cuidar da gente também. Os pequenos percebem e com isso aprendem desde cedo a respeitar esse espaço que criamos para nós.

Esse olhar é fundamental e faz um bem danado pra família toda. Não importa se você é casada, solteira, com produção independente. Se você é gay ou se é “pãe”, pois afirmo aqui que tem pai que dá de dez em muita mãe. Não importa se você é mãe biológica ou adotiva.

O que importa mesmo nesse DIA especial é ser você mesma e aproveitar muito o presentão que a vida te deu. Pois é graças a ele que você se tornou mãe. Quando nasce um filho, nasce também uma mãe.