Cris escreve todas as sextas-feiras.
O parto

Olá minha gente! Estive afastada nas duas últimas sextas por um motivo lindo, meu pequeno nasceu no dia 22 de janeiro, às 2:13 da manhã. Um aquariano no mundo! Cheio de saúde e que veio trazer ainda mais alegrias para minha vida.

Mas agora estou de volta e cheia de histórias para contar. Em conversa com a querida Fernanda Rosito, idealizadora do Negócio Feminino, achamos por bem fazer uma série de crônicas falando deste novo momento e de como estamos levando nossos dias, contando um pouco do muito que é ter um bebê habitando nosso coração e nossa casa.

Começarei do parto. Como o próprio nome já diz: a arte de partir. Partir para chegar até aqui, nesse mundo, de fato. Deixar a barriga para o nascimento.

A partida e esse renascer também se faz para a mãe e para o pai, que neste instante formam um triângulo de amor pleno, nada mais será como antes, não caminharemos mais sozinhos.

Eu acredito que as coisas tem hora certa para acontecer. E a hora de nascer de uma criança deve ser dada por ela própria, salve casos em que realmente o bebê está em sofrimento, mãe e filho correm risco ou a chegada da quadragésima semana. Nesses, o homem deve agir e intervir e dependendo, optar pela cesárea ou pela indução.

Queríamos muito ter nosso filho de parto normal. Primeiro pensamos em tê-lo em casa, depois achamos mais seguro, pela minha idade, ter no hospital. Estávamos bem assessorados pela Dra. Lissandra Maioli, aqui de Caxias do Sul, uma das poucas médicas adeptas a este nosso desejo. Sabíamos que com ela, só aconteceria diferente se fosse realmente necessário. Isso já nos deu uma tranquilidade ímpar, pois estávamos nas mãos certas.

Estava entrando na trigésima oitava semana de gravidez quando comecei a sentir as dores. Primeiro na lombar. Passei a noite de quarta para quinta com muita dor nessa região e já pela manhã comecei a ter as primeiras contrações. Foram três para ser exata. Início da tarde, as contrações começaram a ficar mais próximas, demos um pulinho no consultório da nossa obstetra e eu não tinha dilatação. Voltamos pra casa e avisamos aos nossos pais que podia ser a qualquer momento. Meus sogros vieram da praia e minha mãe e meu irmão vieram de Porto Alegre.

Minha sogra chegou primeiro em minha casa. Percebemos que as contrações agora estavam acontecendo em intervalos menores que cinco minutos. Mas eu, teimosa, achava que não era isso ainda, mãe de primeira viagem, sabe como é. Resolvemos então ligar para a médica que nos mandou correr pro hospital. Nesse momento, ouvi da boca da minha sogra a frase: “pode gritar, não precisa te constranger, dói mesmo”, o que para mim foi de muita importância, não precisei me fazer de forte. Quando a dor começou a ficar insuportável, já no hospital, eu gritei mesmo, deixei o meu lado instintivo falar mais alto, deixei a natureza seguir seu curso.

Voltando, chegamos no hospital, as dores estavam bem fortes, mas eu tinha somente um dedo de dilatação. Depois de quase três horas, cheguei a quatro dedos e ali parei. Sentei na bola de pilates. O marido fez massagem na lombar nos intervalos das contrações, fui para debaixo do chuveiro e nada. Resolvemos ajudar na dinâmica do trabalho de parto com a Oxitocina. Minha médica explicou que não era a indução de fato, pois eu estava em trabalho de parto, mas precisávamos organizar as contrações e deixá-las mais forte.

Confesso que a dor piorou e depois que ela estourou minha bolsa, piorou mais ainda. Com muito custo chegamos a cinco dedos de dilatação e então o nirvana! A partir deste momento eu já podia tomar analgesia. Estava exausta e foi a melhor coisa do mundo. O Arthur, anestesista, foi um anjo enviado por Deus, porque qualquer coisa errada nesta hora poderia parar o trabalho de parto, então tem que ser alguém que saiba o que está fazendo, que costume fazer e goste do que faz. Ele foi perfeito, tomei a raquidiana, na quantidade exata para continuar sentindo as contrações, me mexer, andar, mas sem sentir dor. E em uma hora já tinha chegado a dez dedos de dilatação. Dali para o parto, foi um pulo. Forçamos um pouco mais de cócoras, para o bebê descer bem e partimos finalmente para a sala de parto.

Fui andando até lá. Estavam com a gente a obstetra, o anestesista, a pediatra, Dra. Cláudia Zen e mais três enfermeiras do plantão, que eu queria saber o nome, mas não lembro.

Na sexta tentativa, o Martim conseguiu sair. Precisei fazer uma força constante durante a contração, sem pestanejar, porque se puxar ar para pegar fôlego durante, o bebê volta junto pra dentro da barriga, tem que ser forte e ir até o fim. E como costumam dizer, depois que sai a cabeça, o alívio se faz. Notem na foto que estou rindo, aliviada por demais e meu marido que acompanhou tudo bem de perto, cortou o cordão umbilical, foi emocionante!
Mas não acaba aqui, ainda precisei parir a placenta, que dá um pouco mais de desconforto e levei uns pontinhos na epísio (incisão na região do períneo para ampliar o canal de parto).

O lado de bom disso tudo é que depois que dão banho no bebê e fazem os procedimentos, já colocam ele pra mamar. Mais uma maravilha do parto normal, o colostro vem na hora. E ele já se alimenta antes de ir pro quarto, juntinho da mãe.

Nosso Martim nasceu na madrugada de sexta e no sábado já estávamos em casa. Na sexta mesmo eu já pude levantar e pegar meu filhote no colo. No sábado, em casa, já dei banho nele e começamos a vivenciar nossa nova rotina, felizes da vida por ter vivido essa experiência.

Ele veio na hora dele, um lindo aquariano de cabelos loiros. Só posso agradecer a Deus por ter permitido que eu me tornasse mãe e também à Mãe Oxum, dona do ventre, do útero, que me ajudou desde o primeiro instante a viver está dádiva!

Gratidão!