Cris escreve todas as sextas-feiras.
Somos todos um, pena que muitos não sabem

Eu fico observando esse grande laboratório de vida que as redes sociais se tornaram, minuto a minuto, quase em tempo real. Cada um coloca aquilo que acredita, que pensa, que defende e independente das perfeições escancaradas com boas doses de ilusão, vemos aqueles que despem-se e mostram-se como são, na essência.

Dentre tanta docilidade e absurdos, me chamam a atenção, as causas abraçadas por muitos e criticadas por uma outra parte. Lembram do atentado aos cartunistas em Paris, que despertou a campanha “Je Suis Charlie", como uma forma de solidariedade e protesto à barbaridade que ocorreu.

Aqui nem entro no mérito do que a originou, pois não consigo enxergar justificativa para que um ser humano mate seu semelhante, seu irmão. Mas éramos todos Charlie e por um único motivo, sentimos a dor da atitude cruel cometida. Não estávamos de fato, representando o jornal francês e toda sua trajetória, estávamos sim, num sentimento de compaixão para com os 12 jornalistas mortos no ataque, representando uma causa: a causa da liberdade, da pura e simples liberdade.

Por outro lado, a campanha de solidariedade sofreu críticas compulsivas e contrárias com o mote da negação: Eu não sou Charlie. Numa apologia à não concordância com as sátiras polêmicas do jornal em relação a Maomé, o que como eu disse acima, não é motivo.
Da mesma forma, na última semana a hashtag “Somos todos Maju” também tomou conta das redes sociais e antes dela, as fotos coloridas dos perfis do facebook, em comemoração a aprovação da Lei de casamento entre homossexuais nos Estados Unidos.

Muitos indignados mostrando solidariedade com a garota do tempo da Globo e também vibrando com mais essa vitória do amor na América do Norte e, por outro lado, uma pequena parcela criticando, como se aqueles muitos estivessem alienados de todas as coisas ruins que acontecem no nosso país e no mundo.

Para mim, isso realmente não faz sentido algum. Reparem que esses casos, como tantos outros, são de origem moral. Nossa moral está abalada, distorcida, habitando na ignorância.

Porque uma vitória, mesmo que seja num país vizinho, deve ser comemorada sim, pois sempre será uma vitória nessa luta contra o preconceito. E ela não apaga todo o resto, não mesmo, esse todo permanece e precisamos da mesma forma, continuar na luta. Digo mais, uma derrota para a sociedade, como os comentários contra a jornalista, com o racismo espumando da boca de algumas criaturas que pararam no tempo, deve ser motivo de indignação sim, mas muito mais que isso, motivo de solidariedade para com ela e para com todos aqueles que sofrem preconceito racial.

Assim como a vitória é de todos a derrota também é de todos. E o objetivo em qualquer um desses casos é um só e eu repito: LIBERDADE. Liberdade de expressão, liberdade para amar, liberdade para aceitar o outro como ele é, não importando cor, religião ou gênero. Precisamos urgente nos desprender dessas correntes que só fazem nos segurar no tempo e não nos deixam evoluir rumo essa tão sonhada liberdade.