Cris escreve todas as sextas-feiras.
Tem lugar pra todo mundo

Sobre o caso com o motorista do Ubber em Porto Alegre.

Ironia do destino? Ontem publiquei um texto no meu perfil do facebook falando sobre o uso do taxi. Nele, eu falo de um taxista gente boa, um cara trabalhador, que vem nos prestando serviço há muitos anos. Um cara que existe.

No mesmo dia, vem ao ar uma notícia pra lá de revoltante. Um outro tipo de taxista, um cara sem valores, mascarado, que atua numa espécie de máfia, travou um ato de extrema violência contra um motorista do Ubber.

Um boicote com requintes de crueldade: o homem solicitou o serviço, entrou no carro acompanhado e pediu uma corrida até o Carrefour do bairro Partenon, em Porto Alegre. Aqui não vou descrever em detalhes. Apenas relatarei o essencial.

Chegando ao destino, o motorista foi até o ponto de taxi do supermercado para deixar os passageiros e foi cercado por um bando de taxistas da mesma laia. Notou o que estava para acontecer e resolveu arrancar o carro e fugir, mas não conseguiu. O bando de mais de dez homens, agrediu o único motorista do Ubber. Sem dó, nem piedade.

Como criminosos. Deixando-o desfigurado. Destruiram o carro. E foram embora.
Sinceramente, não vou nem falar em governo inflamando taxistas contra o serviço do Ubber. Vou falar sobre o ser humano. Dói muito perceber o quanto as pessoas estão descontroladas. O quanto a violência vem ganhando espaço. O quanto o ser humano adoeceu de si.

Entramos na onda do “salve-se quem puder”. Vemos isso nas ruas. E agora, eu pergunto. E o receio de chamar um taxi? E se ele estiver sendo guiado por um desses caras mascarados? Eu já desci de um táxi por achar o motorista abusado. Outro dia, eu grávida, ouvi de um taxista que questionei por fazer uma manobra ilegal numa rua movimentada me deixando de cabelo em pé: “ah, qualquer coisa faz de conta que a senhora tá em trabalho de parto”. Essa doeu né?

O caso é: o ser humano, com essa cultura rasa da malandragem que toma conta de boa parte da população, perdeu totalmente a educação. E a cordialidade foi parar onde? Será que é tão difícil compreender que tem lugar para todos? Eu não entendo e não aceito essa disputa sem fim.

E no fim de tudo o que rege essa torre de babel é o poder. Quem pode mais. Quem ganha mais. Isso também é uma disputa de território. Uns usam a religião como desculpa, outros? Bem, outros usam a bandeira de vítimas da sociedade.

Vamos colocar a mão na consciência e fazer despertar sentimentos mais puros que pulsam, com certeza, dentro da gente, de uma vez por todas.