Cris escreve todas as sextas-feiras.
Qual a minha prateleira?

 

Para quem não sabe, a vida de quem escreve pode ser cheia de ansiosas interrogações e as letras acabam por ser o rivotril que põem um fim momentâneo a esta ansiedade perene.

Pois bem, por esses dias, eu e minha cunhada desenrolamos devaneios coloquiais na busca de caminhos acerca dos meus percalços escritos e ela, certeira, me disse que meus livros deveriam estar na seção de autoajuda das livrarias.

A maioria dos cronistas não quer ser associado à autoajuda, até mesmo àqueles que como eu, têm um texto que acaba por despertar respostas no leitor, sobre seus próprios assuntos. É um rótulo difícil de ser quebrado lá adiante. Mas convenhamos, por quê não?

Minhas crônicas têm essa função nata de ombro amigo. São como aquelas conversas que temos com nossa consciência, muitas vezes até de forma inconsciente.

Meu cotidiano é cheio de insights, dúvidas, certezas, ansiedades, levezas. Viajo entre sentimentos que partem de mim e dos outros. Me perco em conversas vizinhas e me encontro em romances históricos. Vou e volto para mim com tudo que percebo por aí.

Minha opinião está sempre lá, estampada. Afinal, opinião é melhor que conselho, já ouvi de uma das personagens do filme “Exótico Hotel Marigold”. Guardei com carinho, porque combina comigo. Guardei mas compartilho, para que outras pessoas sintam o conforto das frases pescadas dessas mentes inquietas.

A crônica é linda, é liberdade, vai direto ao ponto, sem muitos rodeios. Mesmo que eu tente, acabo falando de sentimentos e deve ser por isso que me encaixo tão bem na vida de muita gente. Conectamos nossas emoções, medos, desejos. Conectamos sonhos, pontes, vida.

Vou falar com meu editor, quem sabe minha cunhada não está cheia de razão?

Pelos e-mails que recebo, percebo refletido no outro, aquilo que está latente em mim e essa troca é totalmente permissiva, permite que juntos encontremos nossos caminhos nessa jornada.

Boa viagem!